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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A historia da matemática

A BBC produziu uma série sobre a historia da matemática da grecia antiga ate os dias atuais, apresentada pelo prof. Marcus du Sautoy da Universidade de Oxford a partir do dia 08/09 a série estará no ar na Tv Radio Corredor e tambem disponivel para On Demand, não percam.

Artigo Leonardo Boff

Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT

Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu,”capado e recapado, sangrado e ressangrado”.

Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os paises mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.

Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fôra construida com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam:”façamos nós a revolução antes que o povo a faça”.

E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de um outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado.

Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde “a coisa pública”, o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade.

Na linha de Gandhi, Lula anunciou: “não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido”. Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. A “Fome Zero”, depois a “Bolsa Família”, o “Crédito consignado”, o “Luz para todos”, a “Minha Casa, minha Vida, a “Agricultura familiar, o “Prouni”, as “Escolas profissionais”, entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.

Mas essa derrota inflingida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um “não retorno definitivo” e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.

Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses “descobrindo/encobrindo” o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos.

O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituirem índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.

Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.

Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Ceslo Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida(1993):”Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromer o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação”(p.35).

Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.



Leonardo Boff autor de Depois de 500 anos: que Brasil queremos, Vozes (2000)

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/06/consolidar-ruptura-historica-operada-pelo-pt-320096.asp

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Irresponsabilidade Tucana

Pesquisas eleitorais 03/09/2010

Viva Zapatero

Um documentário italiano de uma hora e meia distraidamente captado numa sonolenta sessão das 10 do Telecine Cult se transformou, para minha surpresa, numa verdadeira,avassaladora e magistral aula de ciência política contemporânea que ninguém deveria perder.A história que o filme conta é italiana, mas a sua lição é universal: políticos e liberdade de expressão não são farinhas do mesmo saco.

O filme, “Viva Zapatero”(que pode ser comprado por R$ 29,60 na Livraria Cultura, por exemplo), é de 2005, foi exibido no Festival de Veneza daquele ano, e é dirigido pela comediante italiana Sabina Guzzanti, ironicamente filha de um senador de direita (“Tenho idade para não ter mais que obedecer a meu pai”, responde a outro parlamentar direitista de quem tenta arrancar uma entrevista). A história é simples: durante o segundo governo Berlusconi, em 2004, Sabina estreou um programa satírico na RAI-3, um dos quatro canais públicos que o Estado italiano mantém.O programa ,chamado “RAIot”,onde a própria Sabina,travestida,interpretava Berlusconi,foi ao ar apenas uma vez e suprimido em seguida.No filme,ela vai atrás das razões da proibição e constrói , através de depoimentos à esquerda,à direita e nos meios artísticos e jornalísticos, um retrato assustador do que a prepotência da direita no poder aliada à omissão covarde da oposição de esquerda, são capazes de fazer para sepultar a liberdade de expressão num país teoricamente democrático como a Itália.Nem mesmo quando a Justiça absolve o programa nos processos que lhe foram movidos pelo império Berlusconi,certificando que tudo o que foi dito lá era verdade,Sabina conseguiu que ele fosse recolocado no ar.

Pode parecer simplesmente uma denúncia dos métodos gangsteristicos de Berlusconi (que está em seu terceiro período de governo), mas essa é uma leitura rasa do filme.Na Itália,os quatro canais públicos da RAI são tradicionalmente loteados entre os partidos políticos, e a esquerda tem o seu quinhão- o canal que cabe á esquerda é dirigido por alguém que ela indica, mas que sai de uma lista tríplice enviada ao Parlamento,que aprova o nome final.Ou seja: o diretor do canal que cabe à esquerda,tem que ser apoiado pela maioria (atualmente) de direita. Isso cria uma rede de interesses paralelos e de subterfúgios entrecruzados que fazem com que direita e esquerda acabem enrolando a língua de maneira muito semelhante quando se trata de justificar as agressões à liberdade de expressão.E aí percebemos o quanto a novilingua dos políticos, especialmente elaborada para falar muito sem dizer nada, é semelhante em todos os lugares do mundo, e em quanto a falta de norte ético faz com que as coisas se pareçam quando se trata apenas de manter o poder e seus privilégios.

Um dos grandes depoimentos do filme é de Fúrio Colombo, diretor do jornal do ex-Partido Comunista Italiano,”L’Unitá”, demitido,como tantos outros, na crista da onda da razzia ideológica da direita, com a covarde complacência e conivência da esquerda: “Minha família tinha o hábito de colecionar e encadernar jornais.Eu tinha o hábito de folhear as coleções,e aí estava tudo que era preciso ver,quando o estado fascista foi implantado.A cada edição do jornal ele ia ficando mais fascista.Isso era visível,óbvio, evidente.Bastava ler as matérias e acompanhar a sequência dos dias.O fascismo ia se instalando aos poucos, a liberdade ia sumindo aos poucos ”.

Ah, sim, por que “Viva Zapatero “? Um ex-diretor do “Corriere della Sera”, também expurgado, conta,com um fio de esperança, que assim que assumiu o cargo de primeiro ministro da Espanha, Zapatero apresentou uma lei proibindo o governo de nomear a direção da TV pública da Espanha.Os italianos babaram de inveja.

Além de ser uma aula de ciência política nua e crua, o filme dá também lições de jornalismo àqueles que, como diria Millôr Fernandes, o confundem com um armazém de secos e molhados.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/09/03/viva-zapatero-321433.asp




Assista o filme na integra

Treinamento motivacional no NCE