Por foo
Do IDG Now
Microsoft admite que iPad está "matando" o mercado de netbooks
Vendas de netbooks despencam e o iPad é o maior fenômeno tecnológico desde o DVD player; setor corporativo não deverá demorar a adotá-lo.
Eu já tinha avisado, mas não me importo em repetir: os tablets estão competindo com os netbooks pelo mesmo mercado. Para convencer-se, não é preciso conversar com o diretor da Best Buy – maior loja de eletrônicos dos Estados Unidos – nem ouvir a opinião dos mais diversos analistas; basta bater um papo rápido com a Microsoft, que agora admite que o iPad está matando os mini notebooks.
Em entrevista ao jornal americano Seattle PI, Gavriella Schuster, responsável pelo desenvolvimento do Windows, soltou os seguintes comentários:
"Eles (netbboks) estão, definitivamente, perdendo importância. Embora sejam dispositivos secundários, suas vendas estão, de fato, diminuindo", respondeu, ao ser questionada se o SO da Microsoft estaria ameaçado pelo crescimento do iOS e do Android, presentes em tablets.
Pesquisa do instituto Changewave verificou que apenas 14% das pessoas que já dispõem de um PC pretendem comprar um netbook nos próximos 90 dias. Em junho de 2009, esse índice era 10 pontos percentuais maior.
Em relação aos tablets, 26% dos 3108 consumidores entrevistados pensam em comprar um nos próximos meses, e 80% deles só pensam no iPad – ou seja, 20% planejam adquirir o aparelho da Apple. Por outro lado, RIM PlayBook, Samsung Galaxy Tab e HP Slate, juntos, somam 13% apenas.
"Chegamos a 1 milhão de iPads em apenas 28 dias; o iPhone só alcançou tal índice em 74 dias", disse Steve Jobs na ocasião. "A demanda continua maior que nosso estoque e estamos trabalhando para entregar esse produto mágico nas mãos de mais consumidores".
Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-impacto-do-ipad-no-mercado-de-netbooks#more
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Desigualdade nos Estados Unidos: Yes, nós somos bananas
Nossa república das bananas
By NICHOLAS D. KRISTOF, no New York Times
November 6, 2010
Em minhas reportagens, eu viajo regularmente às repúblicas das bananas notórias por sua desigualdade. Em algumas destas plutocracias, o 1% mais rico da população abocanha até 20% da torta nacional.
Mas, dá para acreditar? Você não precisa viajar a países distantes e perigosos para observar tal desigualdade. Nós temos isso bem aqui em casa — e depois das eleições de quinta-feira, pode piorar.
O 1% mais rico dos norte-americanos agora acumula quase 24% da renda nacional, comparado com 9% em 1976. Como Timothy Noah da [revista eletrônica] Slate notou em sua excelente série sobre desigualdade, os Estados Unidos agora tem uma distribuição de riqueza mais desigual que as tradicionais repúblicas das bananas da Nicarágua, Venezuela e Guiana.
Os dirigentes das maiores companhias dos Estados Unidos ganhavam em média 42 vezes o salário médio dos trabalhadores em 1980, mas isso passou a 531 vezes em 2001. Talvez a estatística mais chocante seja esta: de 1980 a 2005, mais de quatro quintos do aumento total de renda dos Estados Unidos foram para o 1% mais rico.
Este é o cenário para uma das grandes brigas pós-eleitorais de Washington — até quando estender os cortes de impostos de Bush para os 2% mais ricos dos Estados Unidos. Os dois partidos concordam em estender os cortes de impostos para quem ganha até 250 mil dólares [por ano]. Os republicanos também querem estender os cortes de impostos para quem ganha acima disso.
O 0,1% dos contribuintes mais ricos receberia um corte de impostos de 61 mil dólares do presidente Obama. Mas receberia 370 mil dólares [de corte de impostos] dos republicanos, de acordo com o grupo não partidário Tax Policy Center. E isso resultaria num modesto estímulo econômico, já que os ricos em geral não gastam o que deixam de pagar em impostos.
Num período de desemprego de 9,6%, não faria mais sentido financiar um programa de emprego? Por exemplo, o dinheiro poderia ser usado para evitar a demissão de professores e o enfraquecimento das escolas norte-americanas.
Além disso, uma prioridade óbvia do pior desaquecimento da economia em 70 anos seria estender o seguro-desemprego, parte do qual será cortado em breve a não ser que o Congresso aja para renová-lo. Ou há também o programa de assistência para o ajuste do comércio, que ajuda a treinar e apoiar trabalhadores que perderam seus empregos por causa do comércio exterior. Não será mais aplicado aos trabalhadores do setor de serviços depois de primeiro de janeiro [de 2011], a não ser que o Congresso intervenha.
Assim temos uma escolha. São nossa prioridade econômica os desempregados ou os zilionários?
E se os republicanos estão preocupados com o déficit do orçamento de longo prazo, uma preocupação justa, por que insistem em dois passos que economistas não partidários dizem que piorariam os déficits em mais de 800 bilhões de dólares na próxima década — cortar impostos para os mais ricos e derrubar a reforma do sistema de saúde? Que outros programas os republicanos cortariam para garantir os 800 bilhões em receita perdida?
Ao considerar estas questões, é preciso relembrar o cenário em que se deu o crescimento da desigualdade nos Estados Unidos.
No passado, muitos de nós aceitávamos os níveis de desigualdade porque acreditávamos existir uma troca entre igualdade e crescimento econômico. Mas há provas de que os níveis de desigualdade que agora atingimos na verdade suprimem o crescimento. Uma gota de desigualdade pode lubrificar o crescimento econômico [nota do Viomundo: teoria de Ronald Reagan, a Reagonomics, segundo a qual quando sobra mais dinheiro para os mais ricos eles investem na economia e criam empregos], mas muita desigualdade pode emperrar a economia.
Robert H. Frank, da Universidade de Cornell, Adam Seth Levine da Universidade Vanderbilt e Oege Dijk, do Instituto da Universidade Europeia, recentemente escreveram um trabalho fascinante sugerindo que a desigualdade causa problemas econômicos. Eles olharam para os dados do censo para 50 estados e os 100 condados mais populosos dos Estados Unidos e encontraram relação entre os lugares onde a desigualdade mais cresceu e o crescimento do número de falencias.
Aqui está a explicação: quando a desigualdade cresce, os mais ricos pegam o dinheiro e compram mansões ainda maiores e automóveis ainda mais luxuosos. Os que se encontram abaixo tentam fazer o mesmo e acabam gastando a poupança e assumindo dívidas, tornando uma crise financeira ainda mais provável.
Outra consequência descoberta pelos estudiosos: a desigualdade crescente aumenta o número de divórcios, presumivelmente como resultado de dificuldades financeiras. Talvez eu seja muito sentimental ou romântico, mas isso me impressiona. É um lembrete de que a desigualdade não é apenas uma questão econômica, mas também de dignidade e felicidade.
Há provas crescentes de que perder um automóvel ou uma casa mexe com a sua identidade e acaba com a sua autoestima. Mudanças forçadas [de endereço] arrancam famílias de suas escolas e de suas redes de apoio.
Em resumo, desigualdade deixa as pessoas que estão mais baixo na escala social se sentindo feito ratinhos na roda que gira cada vez mais rápido, sem esperança ou escape.
Polarização econômica também rompe nosso sentido de união nacional e de objetivos comuns, gerando também polarização política.
E assim, no cenário pós-eleitoral, não devemos agravar nossa separação por renda, que deixaria um caudilho latino-americano orgulhoso. Para mim, já chegamos ao ponto das repúblicas das bananas onde a desigualdade se tornou economicamente pouco saudável e moralmente repugnante.
PS do Viomundo: Este site não gosta de julgamentos morais. Nota que os Estados Unidos combateram ferozmente os governos que tentaram reduzir a desigualdade, tanto na Nicarágua quanto na Venezuela. E, ao contrário do articulista, nota que a desigualdade nos Estados Unidos se acelerou porque os ricos passaram a exportar os empregos e, para pagar menos imposto, a sediar suas corporações em paraísos fiscais, enquanto os mais pobres foram fritar hambúrguer no setor de “serviços”.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/yes-nos-somos-bananas.html
By NICHOLAS D. KRISTOF, no New York Times
November 6, 2010
Em minhas reportagens, eu viajo regularmente às repúblicas das bananas notórias por sua desigualdade. Em algumas destas plutocracias, o 1% mais rico da população abocanha até 20% da torta nacional.
Mas, dá para acreditar? Você não precisa viajar a países distantes e perigosos para observar tal desigualdade. Nós temos isso bem aqui em casa — e depois das eleições de quinta-feira, pode piorar.
O 1% mais rico dos norte-americanos agora acumula quase 24% da renda nacional, comparado com 9% em 1976. Como Timothy Noah da [revista eletrônica] Slate notou em sua excelente série sobre desigualdade, os Estados Unidos agora tem uma distribuição de riqueza mais desigual que as tradicionais repúblicas das bananas da Nicarágua, Venezuela e Guiana.
Os dirigentes das maiores companhias dos Estados Unidos ganhavam em média 42 vezes o salário médio dos trabalhadores em 1980, mas isso passou a 531 vezes em 2001. Talvez a estatística mais chocante seja esta: de 1980 a 2005, mais de quatro quintos do aumento total de renda dos Estados Unidos foram para o 1% mais rico.
Este é o cenário para uma das grandes brigas pós-eleitorais de Washington — até quando estender os cortes de impostos de Bush para os 2% mais ricos dos Estados Unidos. Os dois partidos concordam em estender os cortes de impostos para quem ganha até 250 mil dólares [por ano]. Os republicanos também querem estender os cortes de impostos para quem ganha acima disso.
O 0,1% dos contribuintes mais ricos receberia um corte de impostos de 61 mil dólares do presidente Obama. Mas receberia 370 mil dólares [de corte de impostos] dos republicanos, de acordo com o grupo não partidário Tax Policy Center. E isso resultaria num modesto estímulo econômico, já que os ricos em geral não gastam o que deixam de pagar em impostos.
Num período de desemprego de 9,6%, não faria mais sentido financiar um programa de emprego? Por exemplo, o dinheiro poderia ser usado para evitar a demissão de professores e o enfraquecimento das escolas norte-americanas.
Além disso, uma prioridade óbvia do pior desaquecimento da economia em 70 anos seria estender o seguro-desemprego, parte do qual será cortado em breve a não ser que o Congresso aja para renová-lo. Ou há também o programa de assistência para o ajuste do comércio, que ajuda a treinar e apoiar trabalhadores que perderam seus empregos por causa do comércio exterior. Não será mais aplicado aos trabalhadores do setor de serviços depois de primeiro de janeiro [de 2011], a não ser que o Congresso intervenha.
Assim temos uma escolha. São nossa prioridade econômica os desempregados ou os zilionários?
E se os republicanos estão preocupados com o déficit do orçamento de longo prazo, uma preocupação justa, por que insistem em dois passos que economistas não partidários dizem que piorariam os déficits em mais de 800 bilhões de dólares na próxima década — cortar impostos para os mais ricos e derrubar a reforma do sistema de saúde? Que outros programas os republicanos cortariam para garantir os 800 bilhões em receita perdida?
Ao considerar estas questões, é preciso relembrar o cenário em que se deu o crescimento da desigualdade nos Estados Unidos.
No passado, muitos de nós aceitávamos os níveis de desigualdade porque acreditávamos existir uma troca entre igualdade e crescimento econômico. Mas há provas de que os níveis de desigualdade que agora atingimos na verdade suprimem o crescimento. Uma gota de desigualdade pode lubrificar o crescimento econômico [nota do Viomundo: teoria de Ronald Reagan, a Reagonomics, segundo a qual quando sobra mais dinheiro para os mais ricos eles investem na economia e criam empregos], mas muita desigualdade pode emperrar a economia.
Robert H. Frank, da Universidade de Cornell, Adam Seth Levine da Universidade Vanderbilt e Oege Dijk, do Instituto da Universidade Europeia, recentemente escreveram um trabalho fascinante sugerindo que a desigualdade causa problemas econômicos. Eles olharam para os dados do censo para 50 estados e os 100 condados mais populosos dos Estados Unidos e encontraram relação entre os lugares onde a desigualdade mais cresceu e o crescimento do número de falencias.
Aqui está a explicação: quando a desigualdade cresce, os mais ricos pegam o dinheiro e compram mansões ainda maiores e automóveis ainda mais luxuosos. Os que se encontram abaixo tentam fazer o mesmo e acabam gastando a poupança e assumindo dívidas, tornando uma crise financeira ainda mais provável.
Outra consequência descoberta pelos estudiosos: a desigualdade crescente aumenta o número de divórcios, presumivelmente como resultado de dificuldades financeiras. Talvez eu seja muito sentimental ou romântico, mas isso me impressiona. É um lembrete de que a desigualdade não é apenas uma questão econômica, mas também de dignidade e felicidade.
Há provas crescentes de que perder um automóvel ou uma casa mexe com a sua identidade e acaba com a sua autoestima. Mudanças forçadas [de endereço] arrancam famílias de suas escolas e de suas redes de apoio.
Em resumo, desigualdade deixa as pessoas que estão mais baixo na escala social se sentindo feito ratinhos na roda que gira cada vez mais rápido, sem esperança ou escape.
Polarização econômica também rompe nosso sentido de união nacional e de objetivos comuns, gerando também polarização política.
E assim, no cenário pós-eleitoral, não devemos agravar nossa separação por renda, que deixaria um caudilho latino-americano orgulhoso. Para mim, já chegamos ao ponto das repúblicas das bananas onde a desigualdade se tornou economicamente pouco saudável e moralmente repugnante.
PS do Viomundo: Este site não gosta de julgamentos morais. Nota que os Estados Unidos combateram ferozmente os governos que tentaram reduzir a desigualdade, tanto na Nicarágua quanto na Venezuela. E, ao contrário do articulista, nota que a desigualdade nos Estados Unidos se acelerou porque os ricos passaram a exportar os empregos e, para pagar menos imposto, a sediar suas corporações em paraísos fiscais, enquanto os mais pobres foram fritar hambúrguer no setor de “serviços”.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/yes-nos-somos-bananas.html
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sábado, 6 de novembro de 2010
Manuel Castells: "O poder tem medo da internet"
Segundo o Social Sciences Citation Index o sociólogo espanhol Manuel Castells foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período 2000-2006 e o mais citado acadêmico da área de comunicação, no mesmo período.
Poucos pensadores em todo o mundo estudaram a sociedade da informação com tanta profundidade quanto Castells. A sua trilogia A era da informação já foi traduzida para 23 línguas, e já se transformou numa obra de leitura obrigatória nas faculdades de comunicação social em todo o mundo.
Ano passado (Janeiro de 2008), Castells concedeu uma entrevista à jornalista Milagros Pérez Oliva, do periódico espanhol El País, onde ele fala sobre uma das pesquisas mais recentes desenvolvidas por ele. O Projeto Internet Cataluña, em que durante seis anos analisou, com 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil pela internet, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social.
Na entrevista que se segue ele sustenta, com sua genialidade costumeira, que o poder tem medo da internet e mostra ainda como as novas tecnologias da web social distanciam cada vez mais a política da cidadania.
Eis a entrevista.
El País - Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos acreditam, mas que as pessoas que mais usam o chat são as mais sociais.
Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenho sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
El País – Por que acredita que a idéia contrária se estendeu com tanto sucesso?
Castells - Os meios de comunicação tem muito a ver. Todos sabermos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos, também. Mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação é mais interessante do que dizer: A Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet lhe ajudará um pouquinho, mas não muito. Os meios são um certo modo de expressão do que pensa a sociedade: a questão é por que a sociedade pensa isso.
El País - Porque tem medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade tem medo da nova, os pais dos seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado num mundo tecnológico, social e culturalmente antigo do poder que lhes abalroa, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo. E no fundo é mesmo um perigo. Porque a Internete é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba. Porque a Internet não pode ser controlada.
El País - Vivemos numa sociedade onde a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se converteu na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública requer meios que sejam controláveis, e se a Internet não é …
Castells – Não é, e isso explica porque os poderes tem medo da Internet. Estive em várias comissões de assessoria de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não se pode. Pode se vigiar, mas não controlar.
El País - Se a Internet é tão determinante da vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não. O mais importante segue sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional e, ainda anteriormente, ao nível educativo, porque sem educação, a tecnologia não serve para nada. Na Espanha, a chamada exclusão digital é por questão de idade. Os dados estão muito claros: entre os maiores de 55 anos, somente 9% são usuários da Internete, mas entre os menores de 25 anos, são 90%.
El País - É, portanto, uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração desaparecer, não haverá mais esta exclusão digital no que diz respeito ao acesso. Mas na sociedade da Internet, o complicado não é saber navegar, mas saber onde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso requer educação. Na realidade, a Internet amplifica a velha exclusão social da história, que é o nível de educação. O fato de que 555 dos adultos não tenha completado, na Espanha, a educação secundária, essa é a verdadeira exclusão digital.
El País - Nesta sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que é cada vez mais globalizada, aumenta a sensação de insegurança, de que o mundo se move debaixo dos nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que eu busquei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede e que não está distante da que define Bauman. Eu creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e onde menos controle das instituições tradicionais.
El País – Em que sentido?
Castells – Estende-se a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então, o chão se move sob os nossos pés. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e que não são confiáveis. Começamos mal. Segundo, elas pensam que o mercado é bom para os que ganham e mau para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança para o que a lógica pura e dura do mercado pode proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso significa que nosso dinheiro está no fluxo global que não controlamos, que a população está submetida ás pressões migratórias muito fortes, de modo que cada vez mais é difícil encerrar as pessoas numa cultura ou nas fronteiras nacionais.
El País - Qual é o papel da Inernet neste processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir aceder à toda informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isto é algo que demonstramos pela primeira vez na nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mas ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões da autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer uma dessas dimensões, ela utiliza Internet com muito mais freqüência e intensidade. E o uso da Internet reforça, por sua vez, a sua autonomia. Mas, claro, quanto mais uma pessoa controla a sua vida, menos ela se fia das instituições.
El País – E maior pode ser sua frustração pela distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que exerce na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos?
Castells - Sim, há um descompasso entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios colocaram Wi-Fi de acesso, mas se ao mesmo não são capazes de articular um sistema de participação, servem para que as pessoas organizem melhor as suas próprias redes, mas não para participar na vida política. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia e, portanto, estas tecnologias contribuem para distanciar ainda mais a política da cidadania.
Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/manuel-castells-%E2%80%9Co-poder-tem-medo-da-internet#more
Poucos pensadores em todo o mundo estudaram a sociedade da informação com tanta profundidade quanto Castells. A sua trilogia A era da informação já foi traduzida para 23 línguas, e já se transformou numa obra de leitura obrigatória nas faculdades de comunicação social em todo o mundo.
Ano passado (Janeiro de 2008), Castells concedeu uma entrevista à jornalista Milagros Pérez Oliva, do periódico espanhol El País, onde ele fala sobre uma das pesquisas mais recentes desenvolvidas por ele. O Projeto Internet Cataluña, em que durante seis anos analisou, com 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil pela internet, as mudanças que a Internet introduz na cultura e na organização social.
Na entrevista que se segue ele sustenta, com sua genialidade costumeira, que o poder tem medo da internet e mostra ainda como as novas tecnologias da web social distanciam cada vez mais a política da cidadania.
Eis a entrevista.
El País - Esta pesquisa mostra que a Internet não favorece o isolamento, como muitos acreditam, mas que as pessoas que mais usam o chat são as mais sociais.
Castells – Sim. Para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenho sido uma surpresa. Há pelo menos 15 estudos importantes no mundo que dão esse mesmo resultado.
El País – Por que acredita que a idéia contrária se estendeu com tanto sucesso?
Castells - Os meios de comunicação tem muito a ver. Todos sabermos que as más notícias são mais notícia. Você utiliza a Internet e seus filhos, também. Mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que é um fator de alienação é mais interessante do que dizer: A Internet é a extensão da sua vida. Se você é sociável, será mais sociável; se não é, a Internet lhe ajudará um pouquinho, mas não muito. Os meios são um certo modo de expressão do que pensa a sociedade: a questão é por que a sociedade pensa isso.
El País - Porque tem medo do novo?
Castells - Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade tem medo da nova, os pais dos seus filhos, as pessoas que têm o poder ancorado num mundo tecnológico, social e culturalmente antigo do poder que lhes abalroa, que não entendem nem controlam e que percebem como um perigo. E no fundo é mesmo um perigo. Porque a Internete é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba. Porque a Internet não pode ser controlada.
El País - Vivemos numa sociedade onde a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como a define John J. Thompson, se converteu na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública requer meios que sejam controláveis, e se a Internet não é …
Castells – Não é, e isso explica porque os poderes tem medo da Internet. Estive em várias comissões de assessoria de governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos, e a primeira pergunta que os governos sempre fazem é: como podemos controlar a Internet? A resposta é sempre a mesma: não se pode. Pode se vigiar, mas não controlar.
El País - Se a Internet é tão determinante da vida social e econômica, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Castells - Não. O mais importante segue sendo o acesso ao trabalho e à carreira profissional e, ainda anteriormente, ao nível educativo, porque sem educação, a tecnologia não serve para nada. Na Espanha, a chamada exclusão digital é por questão de idade. Os dados estão muito claros: entre os maiores de 55 anos, somente 9% são usuários da Internete, mas entre os menores de 25 anos, são 90%.
El País - É, portanto, uma questão de tempo?
Castells - Quando minha geração desaparecer, não haverá mais esta exclusão digital no que diz respeito ao acesso. Mas na sociedade da Internet, o complicado não é saber navegar, mas saber onde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso requer educação. Na realidade, a Internet amplifica a velha exclusão social da história, que é o nível de educação. O fato de que 555 dos adultos não tenha completado, na Espanha, a educação secundária, essa é a verdadeira exclusão digital.
El País - Nesta sociedade que tende a ser tão líquida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que é cada vez mais globalizada, aumenta a sensação de insegurança, de que o mundo se move debaixo dos nossos pés?
Castells – Há uma nova sociedade que eu busquei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede e que não está distante da que define Bauman. Eu creio que, mais que líquida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e onde menos controle das instituições tradicionais.
El País – Em que sentido?
Castells – Estende-se a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional, já não funcionam. Então, o chão se move sob os nossos pés. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e que não são confiáveis. Começamos mal. Segundo, elas pensam que o mercado é bom para os que ganham e mau para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança para o que a lógica pura e dura do mercado pode proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados; isso significa que nosso dinheiro está no fluxo global que não controlamos, que a população está submetida ás pressões migratórias muito fortes, de modo que cada vez mais é difícil encerrar as pessoas numa cultura ou nas fronteiras nacionais.
El País - Qual é o papel da Inernet neste processo?
Castells - Por um lado, ao nos permitir aceder à toda informação, aumenta a incerteza, mas ao mesmo tempo é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isto é algo que demonstramos pela primeira vez na nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mas ela utiliza a Internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões da autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer uma dessas dimensões, ela utiliza Internet com muito mais freqüência e intensidade. E o uso da Internet reforça, por sua vez, a sua autonomia. Mas, claro, quanto mais uma pessoa controla a sua vida, menos ela se fia das instituições.
El País – E maior pode ser sua frustração pela distância que há entre as possibilidades teóricas de participação e as que exerce na prática, que se limitam a votar a cada quatro anos?
Castells - Sim, há um descompasso entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios colocaram Wi-Fi de acesso, mas se ao mesmo não são capazes de articular um sistema de participação, servem para que as pessoas organizem melhor as suas próprias redes, mas não para participar na vida política. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia e, portanto, estas tecnologias contribuem para distanciar ainda mais a política da cidadania.
Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/manuel-castells-%E2%80%9Co-poder-tem-medo-da-internet#more
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Pesquisa mostra futuro sombrio também para a TV aberta
Não é mais novidade o fato de que os jornais impressos convencionais perdem cada vez mais leitores. O que poucos sabiam é que também a televisão aberta enfrenta um futuro sombrio diante do êxodo, cada vez mais intenso, dos espectadores com menos de 35 anos para a internet.
Este fenômeno ficou plasmado em números por meio de uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo instituto Harris e pela empresa WalltSt24/7, na qual os resultados apontam uma diferenciação crescente entre os hábitos informativos das gerações mais velhas e dos mais jovens. Segundo os especialistas, é aí que mora o perigo.
A pesquisa foi feita nos Estados Unidos e, portanto, seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira. São grandes as diferenças culturais e econômicas, mas há uma tendência em comum, porque os modelos de negócios são idênticos. Assim, no caso brasileiro, os dados da pesquisa devem ser vistos como aproximações.
Nos Estados Unidos, o êxodo do público jovem das televisões abertas é mais intenso do que no Brasil, porque aqui a TV ainda é uma fonte majoritária de informações e entretenimento. Lá, 18% dos entrevistados adultos admitiram que assistem telejornais pela web, índice que sobe para 24% entre os mais jovens, com menos de 35 anos.
Dos 2.095 entrevistados acima de 18 anos, 3% dos mais maduros vêem televisão apenas no seu computador, enquanto este percentual sobe para 7% entre os mais jovens. A pesquisa apontou também uma tendência que deve provocar dores de cabeça entre os programadores e donos de emissoras de TV paga.
Há uma forte tendência dos espectadores de canais por cabo a acessar os sites noticiosos destes canais, na web. O problema é que no cabo o acesso é pago enquanto na web ele é gratuito, pelo menos até agora.
Tudo isto mostra que a TV aberta perde continuamente audiência, que migra para o cabo, que por sua vez perde público para a internet. No começo dos anos 1990, nada menos que 68% dos norte-americanos se informavam pelos telejornais. Hoje, esta proporção despencou para 56%, conforme uma pesquisa do Pew Research Center, citada pelo Observatório Europeu de Jornalismo.
Este mesmo processo de migração de público está na origem da crise nos jornais. Entre os entrevistados pela pesquisa do Harris, 81% das opiniões expressam a crença de que o declínio da imprensa convencional vai continuar e 55% estão convencidos de que os jornais desaparecerão até 2020.
Aqui no Brasil, a sobrevida da imprensa pode ser maior devido a fatores políticos, como auxílio governamental e outras formas de socorro financeiro. Também há o fator limitante do custo do acesso à internet, que ainda é muito maior do que nos Estados Unidos. A diferença está caindo, mas ainda é grande.
Tudo isto confirma mais uma vez o que as pesquisas e as estatísticas mostram de forma cada vez mais clara. O modelo da imprensa está mudando. Estamos num momento de transição, o que abre a perspectiva para uma maior participação do público. Uma participação mais prática e efetiva, por meio do uso das novas tecnologias, do que retórica, por meio de cobranças e questionamentos.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={4E645E45-1E41-4914-841B-D053D77BF507}
Este fenômeno ficou plasmado em números por meio de uma pesquisa feita nos Estados Unidos pelo instituto Harris e pela empresa WalltSt24/7, na qual os resultados apontam uma diferenciação crescente entre os hábitos informativos das gerações mais velhas e dos mais jovens. Segundo os especialistas, é aí que mora o perigo.
A pesquisa foi feita nos Estados Unidos e, portanto, seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a realidade brasileira. São grandes as diferenças culturais e econômicas, mas há uma tendência em comum, porque os modelos de negócios são idênticos. Assim, no caso brasileiro, os dados da pesquisa devem ser vistos como aproximações.
Nos Estados Unidos, o êxodo do público jovem das televisões abertas é mais intenso do que no Brasil, porque aqui a TV ainda é uma fonte majoritária de informações e entretenimento. Lá, 18% dos entrevistados adultos admitiram que assistem telejornais pela web, índice que sobe para 24% entre os mais jovens, com menos de 35 anos.
Dos 2.095 entrevistados acima de 18 anos, 3% dos mais maduros vêem televisão apenas no seu computador, enquanto este percentual sobe para 7% entre os mais jovens. A pesquisa apontou também uma tendência que deve provocar dores de cabeça entre os programadores e donos de emissoras de TV paga.
Há uma forte tendência dos espectadores de canais por cabo a acessar os sites noticiosos destes canais, na web. O problema é que no cabo o acesso é pago enquanto na web ele é gratuito, pelo menos até agora.
Tudo isto mostra que a TV aberta perde continuamente audiência, que migra para o cabo, que por sua vez perde público para a internet. No começo dos anos 1990, nada menos que 68% dos norte-americanos se informavam pelos telejornais. Hoje, esta proporção despencou para 56%, conforme uma pesquisa do Pew Research Center, citada pelo Observatório Europeu de Jornalismo.
Este mesmo processo de migração de público está na origem da crise nos jornais. Entre os entrevistados pela pesquisa do Harris, 81% das opiniões expressam a crença de que o declínio da imprensa convencional vai continuar e 55% estão convencidos de que os jornais desaparecerão até 2020.
Aqui no Brasil, a sobrevida da imprensa pode ser maior devido a fatores políticos, como auxílio governamental e outras formas de socorro financeiro. Também há o fator limitante do custo do acesso à internet, que ainda é muito maior do que nos Estados Unidos. A diferença está caindo, mas ainda é grande.
Tudo isto confirma mais uma vez o que as pesquisas e as estatísticas mostram de forma cada vez mais clara. O modelo da imprensa está mudando. Estamos num momento de transição, o que abre a perspectiva para uma maior participação do público. Uma participação mais prática e efetiva, por meio do uso das novas tecnologias, do que retórica, por meio de cobranças e questionamentos.
Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={4E645E45-1E41-4914-841B-D053D77BF507}
REDES SOCIAIS: A aceleração informativa
Por Valério Cruz Brittos e Francine Bandeira em 2/11/2010
Em 2006, o desenvolvedor de softwares norte-americano Jack Dorsey criou um novo meio de interação social: o Twitter. Desde lá, os interessados em novidades tiveram que abusar de sua criatividade e responder em apenas 140 caracteres à pergunta mais famosa da internet: "What’s happening?" (em português: "O que está acontecendo?"). Com o acelerado crescimento do número de usuários da web, grandes redes sociais, como o próprio Twitter, tornaram-se as principais responsáveis pela formação da chamada Web 2.0, através do conteúdo colaborativo dos internautas.
Segundo pesquisas do Instituto Sysomos, especializado em análises de redes sociais, o Brasil é o segundo país com maior número de twitteiros, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que são a metade dos milhões de usuários em todo o mundo. A quantidade de utilizadores tende a crescer mais a cada ano, visto que, ultimamente, o acesso às redes sociais tornou-se facilitado, graças ao progressivo avanço da internet. Por conta dessa popularidade, o site virou alvo de reportagens e pesquisas que têm como objetivo investigar o efeito que esse novo entretenimento virtual causa na sociedade.
Deixando de lado os números, fica a pergunta: como os usuários lidam com a responsabilidade de difundir ideias e, talvez, influenciar aqueles que têm acesso ao conteúdo? O intercâmbio rápido e facilitado de informações torna o Twitter interessante e, ao mesmo tempo, perigoso. A quantidade de informações erradas e a presença de conteúdo viral em alguns tweets vêm preocupando analistas de mídias sociais e deixando em alerta quem usa o site como ferramenta de trabalho. Invasões de hackers tornaram-se constantes e revelaram que o site não tem suporte contra esse tipo de ação.
Ferramenta de divulgação de produtos e serviços
Criador de famosos neologismos virtuais (o termo tuitar agora é verbo na internet), o site conta com usuários célebres, entre eles Barack Obama (@barackobama), que usa a rede como elo de ligação com seus eleitores, o jornalista William Bonner (@realwbonner) e o apresentador de TV Luciano Huck (@huckluciano), que foi um dos twitteiros mais influentes no ano passado. O criador do site, Jack Dorsey (@jack), afirmou que as redes sociais possibilitam que o ponto de vista de uma pessoa se torne global, apontando que a tecnologia é tão simples e barata (para ele) "que qualquer um pode acessá-la". Porém, já que há tanta informação disponível, "descobrir o que é mais importante e o que é relevante é um dos maiores desafios da tecnologia".
Postar notícias em circulação na imprensa e posicionar-se contra ou a favor tornou-se prática muito comum entre os twitteiros. O caso mais lembrado aqui no país foi o "forasarney", um movimento organizado por usuários que pedia a saída do então presidente do Senado, José Sarney. Essas rebeliões virtuais são possíveis graças a uma lista chamada Trending Topics, que mostra, em tempo real, os nomes mais postados pelo Twitter em todo o mundo. Fatos importantes acabam caindo ali e mobilizando boa parte dos usuários, que aproveita para expor suas opiniões a quem quiser ler.
As grandes emissoras de TV e algumas revistas e jornais acabaram rendendo-se ao novo formato de circulação de notícias. Quem as segue recebe uma mensagem avisando que uma informação foi incluída, a partir daí sendo direcionado ao site com a notícia completa. Assim faz a BBC Brasil (@bbcbrasil) e a Rede Globo (@g1), entre outras. Instituições de ensino e empresas de médio e grande porte também usam o site como ferramenta de divulgação de produtos e serviços.
Novas tecnologias são como a velocidade da luz
Nas últimas eleições, o Twitter foi bastante visado pelos candidatos, que tiraram a paz dos internautas postando informação publicitária com uma boa (na verdade, bizarra) repercussão entre os usuários. Exemplo disso foi a chamada Mulher Pêra, que concorreu a deputada federal por São Paulo pelo partido PTN (Partido Trabalhista Nacional). Ela mexeu com todos com seu post no site: "@MulherPera_: Tenho certesa que vou se eleger!". Uma certeza não poderia ser mesmo, já que ela teve zero votos. Dilma, Serra e Marina, por sua vez, também mantiveram uma disputa acirrada no site: José Serra tinha mais seguidores que Marina, a qual esteve à frente de Dilma – no Twitter, somente.
Sendo o ser humano social por natureza, as mídias sociais estão aflorando e potencializando essa tendência, reconfigurando a comunicação. Ainda que essa nova maneira de interação seja alvo de críticas, visto que as pessoas vêm se isolando e, aparentemente, trocando a vida real pela virtual, as redes sociais permitem que o indivíduo tenha contato direto com o fluxo incessante de informação, embora isso, por si só, pouco signifique. Em entrevista ao jornal O Globo, o escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e vencedor de um Prêmio Nobel de Literatura José Saramago (falecido em junho de 2010), ao ser perguntado sobre o que achava do fenômeno do Twitter, fez a seguinte afirmação: "Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
Em meio a críticas e elogios, confianças e desconfianças, verdades e mentiras, com conteúdo vasto para todos os gostos, essa revolução na maneira de escrever e comunicar cresce a cada dia e ganha mais amantes apaixonados pela sua versatilidade e rapidez. As novas tecnologias criadas para agilizar a comunicação e a difusão de informações são como a velocidade da luz: voam tão rapidamente que não se percebe seus movimentos. Amanhã ou depois uma nova rede social será criada com menos caracteres, causando fascinação geral entre os internautas. Assim segue o sistema funcionando e reproduzindo-se.
fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=614ENO001
Em 2006, o desenvolvedor de softwares norte-americano Jack Dorsey criou um novo meio de interação social: o Twitter. Desde lá, os interessados em novidades tiveram que abusar de sua criatividade e responder em apenas 140 caracteres à pergunta mais famosa da internet: "What’s happening?" (em português: "O que está acontecendo?"). Com o acelerado crescimento do número de usuários da web, grandes redes sociais, como o próprio Twitter, tornaram-se as principais responsáveis pela formação da chamada Web 2.0, através do conteúdo colaborativo dos internautas.
Segundo pesquisas do Instituto Sysomos, especializado em análises de redes sociais, o Brasil é o segundo país com maior número de twitteiros, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que são a metade dos milhões de usuários em todo o mundo. A quantidade de utilizadores tende a crescer mais a cada ano, visto que, ultimamente, o acesso às redes sociais tornou-se facilitado, graças ao progressivo avanço da internet. Por conta dessa popularidade, o site virou alvo de reportagens e pesquisas que têm como objetivo investigar o efeito que esse novo entretenimento virtual causa na sociedade.
Deixando de lado os números, fica a pergunta: como os usuários lidam com a responsabilidade de difundir ideias e, talvez, influenciar aqueles que têm acesso ao conteúdo? O intercâmbio rápido e facilitado de informações torna o Twitter interessante e, ao mesmo tempo, perigoso. A quantidade de informações erradas e a presença de conteúdo viral em alguns tweets vêm preocupando analistas de mídias sociais e deixando em alerta quem usa o site como ferramenta de trabalho. Invasões de hackers tornaram-se constantes e revelaram que o site não tem suporte contra esse tipo de ação.
Ferramenta de divulgação de produtos e serviços
Criador de famosos neologismos virtuais (o termo tuitar agora é verbo na internet), o site conta com usuários célebres, entre eles Barack Obama (@barackobama), que usa a rede como elo de ligação com seus eleitores, o jornalista William Bonner (@realwbonner) e o apresentador de TV Luciano Huck (@huckluciano), que foi um dos twitteiros mais influentes no ano passado. O criador do site, Jack Dorsey (@jack), afirmou que as redes sociais possibilitam que o ponto de vista de uma pessoa se torne global, apontando que a tecnologia é tão simples e barata (para ele) "que qualquer um pode acessá-la". Porém, já que há tanta informação disponível, "descobrir o que é mais importante e o que é relevante é um dos maiores desafios da tecnologia".
Postar notícias em circulação na imprensa e posicionar-se contra ou a favor tornou-se prática muito comum entre os twitteiros. O caso mais lembrado aqui no país foi o "forasarney", um movimento organizado por usuários que pedia a saída do então presidente do Senado, José Sarney. Essas rebeliões virtuais são possíveis graças a uma lista chamada Trending Topics, que mostra, em tempo real, os nomes mais postados pelo Twitter em todo o mundo. Fatos importantes acabam caindo ali e mobilizando boa parte dos usuários, que aproveita para expor suas opiniões a quem quiser ler.
As grandes emissoras de TV e algumas revistas e jornais acabaram rendendo-se ao novo formato de circulação de notícias. Quem as segue recebe uma mensagem avisando que uma informação foi incluída, a partir daí sendo direcionado ao site com a notícia completa. Assim faz a BBC Brasil (@bbcbrasil) e a Rede Globo (@g1), entre outras. Instituições de ensino e empresas de médio e grande porte também usam o site como ferramenta de divulgação de produtos e serviços.
Novas tecnologias são como a velocidade da luz
Nas últimas eleições, o Twitter foi bastante visado pelos candidatos, que tiraram a paz dos internautas postando informação publicitária com uma boa (na verdade, bizarra) repercussão entre os usuários. Exemplo disso foi a chamada Mulher Pêra, que concorreu a deputada federal por São Paulo pelo partido PTN (Partido Trabalhista Nacional). Ela mexeu com todos com seu post no site: "@MulherPera_: Tenho certesa que vou se eleger!". Uma certeza não poderia ser mesmo, já que ela teve zero votos. Dilma, Serra e Marina, por sua vez, também mantiveram uma disputa acirrada no site: José Serra tinha mais seguidores que Marina, a qual esteve à frente de Dilma – no Twitter, somente.
Sendo o ser humano social por natureza, as mídias sociais estão aflorando e potencializando essa tendência, reconfigurando a comunicação. Ainda que essa nova maneira de interação seja alvo de críticas, visto que as pessoas vêm se isolando e, aparentemente, trocando a vida real pela virtual, as redes sociais permitem que o indivíduo tenha contato direto com o fluxo incessante de informação, embora isso, por si só, pouco signifique. Em entrevista ao jornal O Globo, o escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e vencedor de um Prêmio Nobel de Literatura José Saramago (falecido em junho de 2010), ao ser perguntado sobre o que achava do fenômeno do Twitter, fez a seguinte afirmação: "Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
Em meio a críticas e elogios, confianças e desconfianças, verdades e mentiras, com conteúdo vasto para todos os gostos, essa revolução na maneira de escrever e comunicar cresce a cada dia e ganha mais amantes apaixonados pela sua versatilidade e rapidez. As novas tecnologias criadas para agilizar a comunicação e a difusão de informações são como a velocidade da luz: voam tão rapidamente que não se percebe seus movimentos. Amanhã ou depois uma nova rede social será criada com menos caracteres, causando fascinação geral entre os internautas. Assim segue o sistema funcionando e reproduzindo-se.
fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=614ENO001
family scholarship
4 de novembro de 2010 às 17:42
WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer
November 4, 2010, 2:47 PM ET
In U.S., 14% Rely on Food Stamps
By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal
Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.
O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.
Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.
Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.
Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.
O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.
Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.
Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.
Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.
Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.
fonte: http://www.viomundo.com.br/politica/wsj-42-389-619-de-americanos-dependem-do-bolsa-familia-para-comer.html
WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer
November 4, 2010, 2:47 PM ET
In U.S., 14% Rely on Food Stamps
By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal
Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.
O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.
Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.
Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.
Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.
O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.
Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.
Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.
Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.
Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.
fonte: http://www.viomundo.com.br/politica/wsj-42-389-619-de-americanos-dependem-do-bolsa-familia-para-comer.html
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