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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão

por Joana Azevedo Viana, Publicado em 26 de Março de 2011

A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate
dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura

Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao
fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem
precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por
alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa
para chumbar o resgate dos bancos.

Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam
desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão.
A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que
os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman
Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se
atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.

Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu
nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e
Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A
Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou
em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um
acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo
revoltou-se e saiu à rua.

Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a
concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento]
exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco.
E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de
2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e
o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir,
actual primeira-ministra.

Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando
o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país
saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro,
um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os
problemas continuaram.


Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses
eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido
- e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o
colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em
acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares
[cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses
valores à Islândia.

Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do
Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o
relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas
cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser
pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o
povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido
tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das
indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320
mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15
anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei
e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na
capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson,
recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.

Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções
de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da
população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o
país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os
responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser
responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo
governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a
investigar estes crimes sem rosto (até agora).

Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson,
ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e
de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá
dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à
Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é
preso.

Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação
aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária,
eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores,
representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na
da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei,
o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para
jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas,
provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que
não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar
despercebida nos media internacionais.

fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/113267-islandia-o-povo-e-quem-mais-ordena-e-ja-tirou-o-pais-da-recessao

Liberdade de expresão: Naom Chosnsky

"Se você acredita em liberdade de expressão, então acredita em
liberdade para exprimir opiniões que você não gosta. Stálin e Hitler,
por exemplo, eram ditadores favoráveis à liberdade de exprimir apenas
opiniões que eles gostavam. Se você é a favor da liberdade de
expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir
precisamente as opiniões que você despreza".

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A fábula "O Mestre dos Macacos"

Uma parábola chinesa do Século XIV de autoria de Liu Ji, por exemplo, descreve muito bem esse entendimento negligenciado do poder político:7
No estado feudal de Chu, um velho sobrevivia mantendo macacos ao seu serviço. O povo de Chu o chamava de "ju gong" (mestre dos macacos).

Todas as manhãs, o velho reunia os macacos em seu pátio, e dava ordem ao mais velho de liderar os outros até as montanhas para colher frutos de arbustos e árvores. A regra era que cada macaco tinha que dar um décimo de sua colheita ao velho. Aqueles que não conseguissem fazê-lo seriam chicoteados impiedosamente. Todos os macacos sofriam amargamente, mas não se atreviam a reclamar.

Um dia, um pequeno macaco perguntou aos outros macacos: "Foi o velho quem plantou todas as árvores de fruto e arbustos ?" Os outros disseram: "Não, eles cresceram naturalmente." O pequeno macaco ainda perguntou: "Não podemos colher os frutos sem a permissão do velho ?" Os outros responderam: "Sim, todos nós podemos," O pequeno macaco continuou: "Então, por que devemos depender do velho; por que todos nós devemos servi-lo?"
Antes que o pequeno macaco pudesse terminar sua declaração, todos os macacos de repente se tornaram iluminados e despertos.

Naquela mesma noite, vendo que o velho tinha adormecido, os macacos derrubaram todas as barricadas da paliçada em que estavam confinados e destruíram totalmente a paliçada. Eles também levaram os frutos que o velho tinha em estoque, trouxeram todos eles consigo para a floresta, e nunca mais retornaram. O velho finalmente morreu de inanição.


Esta história, intitulada originalmente "Governo por truques" é de Yu-li-zi por Liu Ji (1311-1375) e foi traduzida por Sidney Tai, todos os direitos reservados. Yu-li-zi também é o pseudônimo de Liu Ji. A tradução foi publicada originalmente em Nonviolent Sanctions: News from the Albert Einstein Institution (Cambridge, Mass.), Vol. IV, n º 3 (Inverno 1992-1993), p. 3.

Yu-li-zi diz, "Alguns homens no mundo governam seus povos por meio de truques e não através de princípios justos. Eles não são exatamente como o mestre dos macacos? Eles não estão conscientes das suas confusões


mentais. Assim que seus povos se tornam iluminados, seus truques não funcionam mais."

Maquiavel e Washington, Meios e Fins

Nos tempos nefastos em que vivemos na política nacional, aparecem mais e mais análises que aproximam a atitude da cúpula petista da frase "os fins justificam os meios", atribuída a Maquiavel.

Ora, Maquiavel nunca escreveu isto. A frase é traduzida, incorretamente, da sua obra mais conhecida, O Príncipe, mas o que realmente está escrito é que "os meios são determinados pelos fins que alguém busca atingir", ou "pelos fins que se procuram atingir". Não é a mesma coisa.

George Washington, por exemplo, repetia a máxima "Exitus acta probat", a qual também é incorretamente traduzida como "o êxito faz aprováveis os atos", como se nossos atos dependessem do sucesso para serem moralmente aprovados ou reprovados. Tradução melhor é: "o resultado comprova o ato" nossos atos só aparecem no resultado, o resultado é a prova de termos realizado o trabalho (segundo quem conhece melhor a língua, Dr. Joaquim Pereira, meu pai, exitus vem de ex ire: aquilo que se extrai do que se foi, o resultado).

Tem uma certa confusão, que a gente vê nas duas citações, entre explicação e justificação.

Explicação tem a ver com os fatos, com o juízo de verdadeiro ou falso, com relação de causa e efeito ou de possibilidade. Quando uma coisa leva a outra, dizemos que a explica. Explicamos o comportamento de alguém por entendermos suas causas, mesmo que discordemos das suas motivações. É possível entender, por exemplo porque José Dirceu continua suas negativas hipócritas, apesar de achar o comportamento indigno no cargo.

Já a justificação é diferente, tem a ver com valores como a justiça, envolve um juízo de justo ou injusto, no campo da moral ou da ética. Quando um comportamento é visto como próximo do bem (oposto ao mal), estamos julgando este comportamento como correto, justificando o dito cujo. O primeiro Procurador Geral da República indicado por Lula, Dr. Cláudio Lemes Fonteles, por exemplo, teve conduta sempre muito mais justificável que seus antecessores. Mesmo sendo nomeado pelo Presidente, agiu com independência e dignidade no exercício do cargo, sem se alterar pelas conveniências políticas.

Explicamos os comportamentos pelos fatos, para entendê-los. Depois os comparamos com nossos valores de justiça, para ver se são ou não justificáveis. Dá para ver que são coisas fáceis de se confundir, mas muito diferentes.

Washington só estava dizendo, em latim, que nossas ações não são provadas antes do resultado. O resultado alcançado prova, por si só, que fizemos o necessário para alcançá-lo. Não vai aí qualquer julgamento moral, só a idéia de que o valor do esforço é proporcional ao prêmio. Apesar da autoria de Ovídio, o ditado parece bem americano, mesmo.

Agora dá para entender melhor a frase de Maquiavel, que os fins determinam os meios, não os justificam. O que ele está falando é que devemos levar em conta nossos objetivos ao planejar como agir, é que nossos comportamentos devem levar em conta os objetivos que buscamos atingir. A justificação leva em conta outros critérios, como vimos. Maquiavel não discute se os seus conselhos para o Príncipe são morais ou não, aliás esta foi a grande contribuição dele para a ciência política: narrar as coisas como elas são, não como deveriam ser. Ele explica o comportamento mais adequado para determinados objetivos, não busca justificativas.

No caso específico dos dias sombrios que nos cercam, aplicar ao governo Lula a idéia de justificar os meios pelos fins dá a entender que sua administração tem sido extraordinária. Fica parecendo que seus objetivos, estupendos, poderiam justificar meios também extraordinários de ação. Mas os objetivos ordinários aos quais se propôs nem mesmo explicam os atos indizíveis.

Se o estudo de Maquiavel não ajudaria a entender a embrulhada, muito menos a máxima de Washington. Manter a economia inteira canalizando recursos para o lucro obsceno dos bancos, sem a mínima democratização institucional - este não é propriamente um sucesso que comprove grande esforço.

© 2005 - Ms. Luiz Marcello de Almeida Pereira - Advogado. Ms. em Filosofia do Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC. Professor de Direito Constitucional em diversas Universidades, também ministrando aulas em cursinhos para exames da Ordem e Concursos Públicos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

ÉTICA - Fraudes sacodem a comunidade científica

Um assunto desagradável e polêmico tem sido o foco das atenções da comunidade científica internacional nos últimos meses: erros grosseiros, plágios e má-conduta em diversas publicações recentes. Em março de 2002, a revista Science publicou um artigo de um grupo americano que afirmava ter iniciado a fusão nuclear em um becker de solvente orgânico, o que depois não se confirmou. No mês seguinte, a revista Nature retirou formalmente um artigo, publicado no ano anterior, sugerindo que o DNA de plantações mexicanas de milho modificado geneticamente tinha invadido o genoma das variedades nativas. Os autores não foram acusados de fraude, pois alegaram que as conclusões se justificavam nos dados que possuíam, e que, apesar de errados, não necessariamente caracterizam uma má-conduta científica. Dois outros episódios, no entanto, abalaram a comunidade científica, principalmente na área de Física.

Em um artigo publicado, em 1999 na revista Physical Review Letters, o físico Victor Ninov e sua equipe do laboratório americano Lawrence Berkeley afirmaram ter descoberto os elementos 116 e 118 (o mais pesado elemento existente). Em 2001, a equipe solicitou a retirada do trabalho sob a justificativa de não conseguir reproduzir os dados. Entretanto, investigações posteriores no laboratório de Ninov indicaram, sem sombra de dúvidas, que o pesquisador tinha falsificado dados propositalmente.

Mas o caso que mais chocou o meio científico foi o do jovem prodígio Jan Hendrik Schön, pesquisador dos laboratórios Bell, um dos mais respeitados na área de Física. Com apenas 32 anos, o pesquisador alemão era considerado uma verdadeira máquina de trabalhar e de publicar trabalhos em prestigiosas revistas internacionais, como Nature e Science. Schön trabalhava na criação de transistores de moléculas, e na indução de supercondutividade em esferas de carbono. Apesar de seus resultados serem fantásticos, os demais pesquisadores da área não conseguiam reproduzir a maioria dos resultados.

Em maio de 2002, um grupo de cientistas informou ao laboratório Bell ter descoberto que três gráficos que apareciam em trabalhos do grupo de Schön, para diferentes sistemas e efeitos, eram absolutamente idênticos. O laboratório criou um comitê para investigar as acusações, que não só foram confirmadas, mas até ampliadas. O comitê concluiu que o pesquisador tinha falsificado ou fabricado dados em pelo menos 16 trabalhos, dos 25 analisados.

Tanto Ninov quanto Schön foram despedidos de seus respectivos empregos, e seus trabalhos têm sido retirados das revistas nas quais foram publicados. Esses acontecimentos têm gerado interessantes discussões sobre a ética das regras de pesquisa e publicação científica. Para muitos cientistas, tais episódios simplesmente demonstram que o processo científico funciona de fato. Os resultados são publicados, outros tentam reproduzi-los sem sucesso, os dados são contestados, e finalmente desconsiderados.

Mas algumas questões alimentam o debate: O próprio sistema de incentivos à pesquisa e a competividade impelem à publicação rápida e em quantidade considerável. Qual é o limite? Não se sabe ao certo. Por exemplo, em 2001 Schön publicou em média um trabalho a cada oito dias em revistas de reconhecido prestígio. Mas isso não chamou a atenção até que as acusações de fraude foram lançadas.

As próprias revistas importantes são acusadas de favorecer a publicação de trabalhos considerados "quentes", que venham a ser futuramente citados e que lhes garantam a manutenção do prestígio. Em geral, o sistema de publicações funciona através de pareceres de assessores que entendem da área específica do trabalho. Mas diversos assessores dessas revistas têm contestado a publicação de resultados suspeitos, mesmo contra a sua recomendação.

Nem sequer esses assessores científicos se salvam das acusações. Apesar de quase todos concordarem com o método de julgamento por pares, esse critério também tem sido questionado. Além das questões inerentes sobre a competitividade e conflitos de interesse, muitos acham que, por se tratar de uma obrigação sem um retorno imediato, nem financeiro nem curricular, a maioria dos assessores apenas lêem os manuscritos superficialmente, sem se preocupar com a veracidade das informações ali contidas, e sem verificar publicações prévias dos autores do artigo submetido à publicação. Além disso, para o bom funcionamento do processo, o assessor deve pressupor que os autores estão dizendo a verdade, e confiar nos dados apresentados. Caso contrário o processo de avaliação por pares se torna inviável.

Finalmente, entrou na discussão um assunto até então ignorado: o papel dos co-autores nos trabalhos científicos. No caso de Schön, o comitê afirmou que não conseguiu encontrar regras éticas claras sobre essa questão, e portanto, não condenou os co-autores dos trabalhos. Mas é justo que os co-autores dividam as glórias, mas que não se responsabilizem caso algo ruim ocorra?

Sentindo-se a mais atingida, a Sociedade Americana de Física reviu durante o ano de 2002 o seu código de conduta. O novo código define a má-conduta, e a divide em fabricação de dados, falsificação e plágio. Esses comportamentos são considerados transgressões graves, pois "podem levar outros cientistas a caminhos infrutíferos" e também "diminuem a crença vital que os cientistam depositam uns nos outros".

É interessante notar que o código considera que "o erro honesto é uma parte integral da ciência. Não é anti-ético estar errado, desde que os erros sejam rapidamente reconhecidos e corrigidos assim que detectados".



Marcelo Knobel


Fonte:http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252003000300013&script=sci_arttext&tlng=en

Minerva Limpa

"Quem não pecou, que atire a primeira pedra"

Unicamp apura acusação de fraude em artigos de professor de química

Editora científica invalidou pesquisas de Claudio Airoldi
31/03/2011 - 11:22

EPTV.com/G1

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu uma sindicância para apurar acusações de fraudes em 11 estudos de um professor titular de química da instituição. De acordo com reportagem do jornal" Folha de S. Paulo" publicada nesta quinta-feira (31), Claudio Airoldi teria inventado dados em artigos científicos. Ele é bolsista de Produtividade em Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico(CNPq ).

Onze trabalhos do pesquisador foram invalidados pelas revistas científicas onde foram publicados, segundo reportagem. Airoldi é bolsista nível 1A de produtividade em pesquisa do CNPq

O jornal afirma que, de acordo com a editora responsável pela publicação dos estudos, Airoldi teria falsificado imagens usadas para avaliar novas moléculas. As pesquisas, publicadas entre 2008 e 2010, foram feitas em colaboração com um então aluno de pós-graduação, Denis Guerra, hoje na Universidade Federal de Mato Grosso.

A equipe de reportagem do EPTV.com tentou contato com o pesquisador nos telefones de sua sala na Unicamp e no laboratório, mas ele não foi encontrado. Por telefone ao G1, Denis Guerra afirmou que “não existe falsificação de dados”. “Não existe nenhuma necessidade de um pesquisador da Unicamp fabricar dados, isso é uma acusação absurda”, disse ele.

“O que está acontecendo é uma falta de respeito com um cientista nacional. Porque os artigos foram retirados e não houve nenhuma satisfação. Nós mandamos as provas e não tivemos nenhuma resposta”, disse ele.

De acordo com a assessoria de imprensa da Unicamp, a universidade vai tomar as medidas institucionais adequadas ao caso. A investigação deve ser concluída em 30 dias. O Brasil não possui uma autoridade federal para avaliar casos como esse. Portanto, cabe às universidades aplicar penalidades caso sejam constatadas irregularidades.

Nota da Unicamp

Em atenção à solicitação, informamos o seguinte:

1) A Unicamp tomou conhecimento sobre as ocorrências envolvendo o Prof. Dr. Claudio Airoldi.

2) A Universidade instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos e tomar as medidas institucionais adequadas ao caso.

3) O procedimento deverá ser concluído em 30 dias.

(Assessoria de Imprensa - Campinas, 30 de março de 2011)

Fonte:http://eptv.globo.com/campinas/noticias/NOT,1,1,342417,Unicamp+investiga+acusacao+de+fraude+em+artigos+cientificos+de+professor+de+quimica+Claudio+Airoldi+em+Campinas.aspx