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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dados abertos para democracia na era digital

Neste ano, o .Consegi terá como tema central o conceito de "Dados
Abertos" (open data). Assunto novo dentro da tecnologia, segundo o
W3C, dados governamentais abertos são a "disponibilização de
informações governamentais representadas em formato aberto e acessível
de tal modo que possam ser reutilizadas, misturadas com informações de
outras fontes, gerando novos significados".

Assista ao vídeo sobre Dados Abertos da Open Knowledge Foundation!

Desta forma, os dados governamentais abertos não são apenas a
publicação na Web de informações ou tabelas de dados legíveis apenas
por pessoas, mas sim a publicação de informações do setor público,
disponibilizadas em formato bruto e aberto, compreensíveis
logicamente, de modo a permitir sua reutilização em aplicações
digitais desenvolvidas pelo governo, pela sociedade ou qualquer outro
interessado no desenvolvimento desse tipo de aplicação. O especialista
em políticas públicas, David Eaves, criou 3 leis para dados
governamentais:

1. Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe;

2. Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por
máquina, ele não pode ser reaproveitado; e

3. Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil.

Dados governamentais geralmente são disponibilizados on-line
normalmente por 3 motivos:

1. Aumentar a consciência cidadã das funções de governo para permitir
maior responsabilidade;

2. Contribuir com informações valiosas sobre o mundo; e

3. Permitir que o governo, o país e o mundo funcionem com mais eficiência.

Para satisfazer melhor cada um destes objetivos, uma das melhores
opções é a utilização de técnicas de linked data. Em geral, os linked
data são:

- Abertos: pode-se acessar Linked Data através de uma variedade
ilimitada de aplicações e aplicativos, pois ela é expressa em formatos
abertos, não-proprietários.

- Modulares: os Linked Data podem ser combinados (agregados) com
quaisquer outros linked. Nenhum planejamento antecipado é necessário
para integrar essas fontes de dados, já que ambas utilizam os padrões
de Linked Data.

- Escaláveis: É fácil adicionar mais Linked Data aos já existentes,
mesmo quando os termos e definições utilizadas mudem ao longo do
tempo.

Vagner Diniz, gerente do W3C Escritório Brasil, defende que os órgãos
interessados em publicar dados governamentais abertos precisam seguir
três passos básicos:

1. Selecionar quais dados serão disponibilizados e identificar quem os controla;

2. Representar esses dados de uma maneira que as pessoas possam reutilizá-los; e

3. Publicar os dados e divulgar.

Um grupo de trabalho para governo aberto (OpenDataGov.org),
estabelecido na Califórnia (EUA) em 2007, desenvolveu 8 princípios que
devem ser respeitados para que dados governamentais que forem
disponibilizados publicamente sejam considerados abertos:

1. Completos: Todos os dados públicos estão disponíveis. Dado público
é o dado que não está sujeito a limitações válidas de privacidade,
segurança ou controle de acesso.

2. Primários: Os dados são apresentados tais como os coletados na
fonte, com o maior nível de granularidade e sem agregação ou
modificação.

3. Atuais: Os dados são disponibilizados tão rapidamente quanto necessário.

4. Acessíveis: Os dados são disponibilizados para o maior alcance
possível de usuários e para o maior conjunto possível de finalidades.

5. Compreensíveis por máquinas: Os dados são razoavelmente
estruturados de modo a possibilidar processamento automatizado.

6. Não discriminatórios: Os dados são disponíveis para todos, sem
nenhuma exigência.

7. Não proprietários: Os dados são disponíveis em formato sobre o qual
nenhuma entidade detenha controle exclusivo.

8. Livres de licenças: Os dados não estão sujeitos a nenhuma restrição
de direito autoral, patente, propriedade intelectual ou segredo
industrial. Restrições sensatas relacionadas à privacidade, segurança
e privilégios de acesso devem ser permitidas.

Este grupo afirma que dados governamentais abertos promovem o aumento
do discurso civil, a melhoria do bem-estar público e o uso mais
eficiente dos recursos públicos. No entanto, a abertura dos dados não
acontece por si só. Há várias questões tecnológicas, culturais e
legais que precisam ser analisadas para que se possa colher os
benefícios dessa abertura

Notas machadas de rosa não têm valor e pessoas que a receberem podem ser investigadas

BRASÍLIA - O governo criou regras duras e que proíbem o uso de cédulas de real manchadas, por mecanismos antifurto, em consequência de roubos em caixas eletrônicos. A pessoa que receber uma nota com essas manchas poderá até mesmo ser investigada pelas autoridades policiais, além de não ser ressarcida pelo valor perdido. O objetivo, resumiu o diretor de Administração do Banco Central (BC), Altamir Lopes, é evitar justamente que o cidadão aceite notas de real com essas características.

- A população deve ficar bastante atenta para as manchas de coloração rosa que venham a descaracterizar as notas - afirmou Lopes, referindo-se aos mecanismos antifurto usado pelos bancos em caixas eletrônicos.

Nos últimos meses, cresceram de forma intensa os assaltos a terminais eletrônicos de bancos com o uso de explosivos, usados para destruir esses caixas. Os alvos têm sido sobretudo os terminais 24 horas. Com isso, os bancos criaram um mecanismo de defesa, que libera uma tinta rosa assim que o caixa é atingido, manchando as notas. Hoje, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) divulgaram medidas legais que regulamentam o destino dessas notas danificadas.

Uma das mais importantes é a que determina que essas notas perdem sua validade e, quem a receber, não terá direito de ser ressarcido pelo valor das cédulas. Ou seja, terá prejuízo. O BC orienta, ainda, que essas pessoas entreguem essas notas ao banco. Mas, para isso, terá de apresentar seu CPF, um documento de identidade com foto e o endereço para ser achado. Lopes argumentou que esse procedimento é importante porque, eventualmente, a nota entregue pode ainda valer, caso as manchas sejam de outra natureza, e receber o valor de volta. Ele reconhece, no entanto, que caso a cédula realmente esteja danificada pelo mecanismo antifurto, a pessoa poderá ser investigada pelas autoridades policiais.

- Se o BC comprovar que a cédula está danificada, será encaminhada para a polícia.

Os bancos que receberem as notas manchadas das pessoas, terão de encaminhá-las para que o BC faça a análise técnica. Lopes explicou ainda que, caso o cidadão retire dinheiro de um caixa eletrônico e venham cédulas machadas de rosa, existem dois procedimentos: se estiver ainda no horário bancário, a pessoa deve tirar imediatamente um extrato comprovando a retirada do dinheiro e procurar o gerente da agência. Fora do horário bancário, a pessoa terá de também fazer um Boletim de Ocorrência e, no dia seguinte, procurar o proprio banco. Nestes casos, as pessoas serão ressarcidas.

O BC explicou também que os bancos serão ressarcidos, mas descontando os custos de produção da cédula e de processos do BC, quando uma tentativa de roubo em caixa eletrônico não for bem-sucedido e, eventualmente, cédulas manchadas permanecerem no local. Lopes disse ainda que outros mecanismos antifurto terão de ser criados para a população com deficiência visual.



Fonte:http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/06/01/notas-machadas-de-rosa-nao-tem-valor-pessoas-que-receberem-podem-ser-investigadas-924582760.asp

terça-feira, 31 de maio de 2011

Educação para o debate - O caso do livro "Por Uma Vida melhor "

Sergio Fausto - O Estado de S.Paulo
Disseram que o livro Por uma Vida Melhor estaria autorizando o desrespeito generalizado às regras da concordância e abolindo a diferença entre o certo e o errado no emprego da língua portuguesa. Tudo isso com o beneplácito do MEC.

A celeuma ganhou os jornais nas últimas semanas. Foi motivada por um trecho no qual se afirma que o aluno pode dizer "os livro". Parece a senha para um vale-tudo na utilização da língua. Não é, mas assim foi lido.

Não conheço a autora nem sou educador, embora vínculos de família me tenham feito conviver com educadoras desde sempre. Escolhi comentar o caso não apenas porque se refere a um tema importante, mas também porque exemplifica um fenômeno frequente no debate público. Tão frequente quanto perigoso.

O procedimento consiste na desqualificação de ideias sem o mínimo esforço prévio de compreendê-las. Funciona assim: diante de mero indício de convicções contrárias às minhas, detectados em leitura de viés ou simples ouvir dizer, passo ao ataque para desmoralizar o argumento em questão e os seus autores. É a técnica de atirar primeiro e perguntar depois. A vítima é a qualidade do debate público.

Existem expressões, e mesmo palavras, que têm o condão de desencadear essa reação de ataque reflexo. Há setores da opinião pública para os quais a simples menção à privatização é motivo para levar a mão ao coldre. No caso em pauta, o gatilho da celeuma foi a expressão "preconceito linguístico" para qualificar a atitude de quem estigmatiza o "falar errado" da linguagem popular. Houve quem aventasse a hipótese de que o livro visasse à justificação oficial dos erros gramaticais do ex-presidente Lula. Um despropósito.

Dei-me ao trabalho de ler o capítulo de onde foram extraídas as "provas" do suposto crime contra a língua portuguesa. Chama-se Escrever é diferente de falar, título que já antecipa uma preocupação com o bom emprego da língua no registro formal, típico da escrita. São algumas páginas. Nada que um leitor treinado não possa enfrentar em cerca de 10 ou 15 minutos de leitura atenta. Se a fizer sem prevenção, constatará que o livro não aceita a sobreposição da linguagem oral sobre a linguagem escrita em qualquer circunstância, como chegou a ser escrito.

Ao contrário, no capítulo em questão, a autora busca justamente marcar a diferença entre a norma culta, indispensável na escrita formal, e as variantes populares da língua, admissíveis na linguagem oral. Não se exime ela do ensino das regras. Mas, em vez de recitá-las, vale-se da técnica da reescrita. Há uma seção particularmente interessante sobre o uso da pontuação. Vale a pena citar uma passagem: "(...) uma cuidadosa divisão em períodos é decisiva para a clareza dos textos escritos. A língua oral conta com gestos, expressões, entonação de voz, enquanto a língua escrita precisa contar com outros elementos. A pontuação é um deles".

Noves fora um certo ranço ideológico, aqui e ali, o livro é de bom nível. Trabalho de gente séria, que merece crédito. E um pouco mais de respeito. Fica o testemunho: a ONG responsável pela obra tem entre seus dirigentes, se a memória não me trai, profissionais responsáveis, no passado, por um dos melhores cursos de Educação para Jovens e Adultos da cidade de São Paulo, o supletivo do Colégio Santa Cruz.

É justamente a esse público que o livro se dirige. Ele é formado por alunos que estão travando contato com a norma culta da língua mais tarde em sua vida. Nesse contato tardio, frequentemente se envergonham do seu falar. Emudecem. Reconhecer a legitimidade do repertório linguístico que carregam é condição para que possam aprender. Não se trata de proteger esse repertório das convenções da norma culta, para supostamente preservar a autenticidade da linguagem popular. Isso, sim, seria celebração da ignorância. E populismo. O livro não ingressa nesse terreno pantanoso.

O que está dito acima se aplica também às crianças quando iniciam o processo de alfabetização. Sabe-se que o primeiro contato com a norma culta da língua é crucial para o desempenho futuro do aluno como leitor e escritor. Sabe-se igualmente que a absorção da norma culta é um longo processo. O maior risco é o de bloqueá-lo logo ao início, marcando com o estigma do fracasso escolar os primeiros passos do aprendizado. No início dos anos 1980, mais de 60% dos alunos eram reprovados na primeira série do ensino fundamental, o que se refletia em altas taxas de evasão escolar. Embatucavam no contato com as primeiras letras (e as primeiras operações aritméticas). Melhoramos desde então? Sim, as taxas de repetência, defasagem idade/série e evasão escolar diminuíram. Parte da melhora se deve à adoção da progressão continuada, outra presa fácil da distorção deliberada, pois passível de ser confundida com a aprovação automática.

Não aprendemos, ainda, porém, como assegurar a qualidade desejada no aprendizado da língua. Mas há sinais de vida. O desempenho dos alunos em Português vem melhorando, em especial no primeiro ciclo do ensino fundamental, conforme indicam avaliações nacionais e internacionais, ainda que mais lentamente do que seria desejável e necessário. A verdade é que o desafio é enorme: não faz muitos anos que as portas da educação fundamental se abriram para todos e a escola passou a ter de ensinar ao "filho do pobre" - dezenas de milhões de crianças - a norma culta da língua, que seus pais não dominam.

Há muita discussão e aprendizado a serem feitos para vencer esse desafio. É ótimo que todos queiram participar. Mas é preciso educar-se para o debate. Isso implica desde logo dar-se ao trabalho de conhecer o tema em pauta e ter a disposição de entender o ponto de vista alheio antes de desqualificá-lo. Sem querer ser pedante, é o que dizia Voltaire, séculos atrás: "Aprendi a respeitar as ideias alheias, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar". Todo mundo ganha com isso.

DIRETOR EXECUTIVO DO iFHC, É MEMBRO DO GACINT-USP

fonte:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110529/not_imp725367,0.php

Google cria ferramenta de busca para monitorar casos de dengue


RIO - O Google anunciou nesta terça-feira uma ferramenta chamada Google Dengue Trends, um sistema que monitora os resultados das buscas sobre a doença na Bolívia, no Brasil, na Índia, na Indonésia e em Cingapura e os compara a dados oficiais sobre casos da doença, segundo o site "Today".

Segundo a gerente de comunicação corporativa do Google no sudeste asiático, Therese Lim, os termos de busca da ferramenta têm grande relação com o atual número de casos de dengue no mesmo período das buscas, de acordo com estimativas oficiais.

Em nota, o Google disse que "mesmo se uma pessoa não afetada pela doença procurar por dengue, um há padrão pelo qual todas as buscas relacionadas à doença vão aparecer".

O projeto foi desenvolvido em conjunto com o Hospital Infantil de Boston e a Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos e o modelo pode facilitar uma reação mais rápida do governo para proteger a população, sem demora na análise dos dados.

A ferramenta faz parte do Google Correlate, um serviço inaugurado na última semana que relaciona análise de buscas no site com dados coletados em pesquisas convencionais por governos e organizações.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/05/31/google-cria-ferramenta-de-busca-para-monitorar-casos-de-dengue-924574916.asp#ixzz1Nx8PN1ek
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Veja o Google Dengue

Cartilha sobre Assédio Moral


Assédio Moral

O rato e o fazendeiro, uma fábula em sintonia com o dia

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.

Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.

Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!

A galinha disse:

- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e disse:

- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira !

- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.

O rato dirigiu-se � vaca. E ela lhe disse:

- O que ? Uma ratoeira ? Por acaso estou em perigo? Acho que não !

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.

A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.

No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.

Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.

A mulher não melhorou e acabou morrendo.

Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

“Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”

segunda-feira, 30 de maio de 2011

''A Internet vai salvar os livros''









































Robert Darnton, professor de Harvard, explica o seu projeto, alternativo ao doGoogle: uma biblioteca universal, aberta a todos, a ser implementada na Internet. "Nos EUA, os textos autoproduzidos são três vezes mais numerosos do que os publicados por editoras comerciais". "Alguns estão convencidos de que democratizar o conhecimento significa vulgarizá-lo. No século XIX, temia-se a mesma coisa".

A reportagem é de Benedetta Craveri, publicada no jornal La Repubblica, 27-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Duas vocações se cruzam e se iluminam reciprocamente no 11 ensaios que Robert Darnton reuniu agora em Il futuro del libro [O futuro do livro] (Ed. Adelphi, 273 páginas). A primeira é a do historiador que, através de um trabalho extraordinário de escavação nos arquivos do passado, trouxe novamente à luz um século XVIIIunderground destinado a contribuir de modo incisivo para o final do Antigo Regime



A segunda é a do intelectual comprometido que olha para o futuro interrogando-se sobre os problemas relativos à transmissão do saber de amanhã. De outro lado, a sua própria posição de diretor da biblioteca de Harvard confronta Darnton cotidianamente com a necessidade de conservar e ao mesmo tempo de inovar. Por fim, há um terceiro fator que contribui para tornar Il futuro del libro uma leitura apaixonando, que é a arte de narrar do seu autor.

Eis a entrevista.

Professor Darnton, o senhor escreve que digitalizar é democratizar. Mas que uso poderá fazer dessa imensa oferta de "leitura democrática" uma sociedade de massa que lê cada vez menos, que antepõe a imagem ao texto e é, em grande parte, desprovida de instrumentos interpretativos necessários?

O termo "democratização" pode parecer alarmante se aplicado à cultura, sobretudo na cultura americana tal como é vista pela Europa. Em seu livro, escrito em polêmica com oGoogle – Quand Google défie l'Europe – Jean-Noël Jeanneney usa o argumento dos algoritmos e do sistema de avaliação baseado na frequência dos acessos para denunciar um "populismo cultural", como se a digitalização em massa dos livros ameaçasse afogar a Europa em uma cultura de massa alienante. Os europeus podem permanecer aficionados – como eu sou – ao venerável código impresso, mas os norte-americanos leem livros eletrônicos com uma avidez igual, senão maior – como demonstram os últimos dados da Amazon –, à que leem os livros impressos.

Qual é o panorama que surge disso?

Em 2011, pelo menos 20% do total das vendas será de livro adaptados para dispositivos de leitura que estão em suas mãos. Parece que a própria prática da leitura está aumentando, especialmente no setor dos gêneros populares, tais como as histórias de romance ou os livros policiais. Isso quer dizer que democratizar significa vulgarizar? Talvez. Isso era o que muitos europeus da segunda metade do século XIX já lamentavam diante do sucesso de romances baratos e dos jornais. Eu compartilho a opinião deRichard Hoggart, de Marcel Certeau, de Carlo Ginzburg e de Roger Chartier, que defendem que os leitores plebeus tinham a capacidade de captar toda a riqueza dos significados dos textos "populares" adaptando-os à sua própria cultura.

O senhor também fala da "democratização da escrita". A que se refere?

Trata-se de um fenômeno muito interessante. Nos Estados Unidos, em 2009, foram publicados 288.355 livros por editoras comerciais. A estes, devem ser acrescentados os 764.448 novos títulos de autores que se autopublicam. Uma vez, os livros eram escritos para o leitor comum. Hoje, é o leitor comum que os escreve.

Até que ponto é possível comparar, como o senhor faz, a rede de informação sem fronteiras oferecida hoje pela Internet com a circulação das ideias na Paris do século XVIII? Os intelectuais do Iluminismo – Voltaire na frente – buscavam o objetivo de difundir o saber em benefício das elites e certamente não do povo.

Voltaire, sem dúvida, ficaria horrorizado diante da situação atual. Ele não se cansava de defender que era arriscado ensinar os camponeses a ler, porque era preciso que alguém cultivasse os campos. Os iluministas foram muito longe na sua exigência de refinamento. Mas, quando consideramos de modo global a idade do Iluminismo, vemos que muitas ideias circulavam de forma fragmentada, exatamente como na Internet. Basta pensar nas conversas trocadas em torno da chamada "árvore da Cracóvia" no Palais-Royal, nosbon-mots rabiscados em pedaços de papel, nos versos improvisados nas árias populares. Estou convencido de que temos que proceder a uma reconstrução completa "do ecossistema de informações" do passado. Ao fazer isso, poderemos ter uma visão mais clara do futuro. Longe de mim querer assumir o ditado de que "quanto mais as coisas mudam, mais continuam as mesmas", mas, em Il futuro del libro, procurei mostrar como as longas linhas de continuidade interconectam fases diferentes da história.

O senhor não se cansa de lembrar como a garantia da democracia, para a Internet, é incompatível com a política de monopólio do Google.

O problema da democratização foi posto pelo Google Book Search de um novo modo. À primeira vista, essa iniciativa tinha a vantagem de colocar milhões de livros à disposição de milhões de leitores. Mas havia um preço a pagar, o da assinatura do acesso ao gigantesco banco de dados do Google. Ao invés de democratização, encontramo-nos, portanto, diante de uma perspectiva de comercialização. O perigo se tornou evidente quando o Google assinou um acordo econômico com os escritores e os editores que o haviam processado por ter violado os direitos autorais. O público não estava autorizado a dizer a sua opinião, mas um tribunal de Nova York se recusou a aprovar o acordo.

Qual é a alternativa possível?

Um grupo de pessoas do qual eu faço parte está tentando criar uma Biblioteca Pública Digital dos Estados Unidos (Digital Public Library of America), que se propõe a competir e a vencer o Google em seu próprio campo, tornando acessível gratuitamente o patrimônio cultural norte-americano não só a todos os norte-americanos, mas ao mundo inteiro. Ao invés de depender do Estado no plano financeiro, visamos a uma coalizão de fundações privadas. Um consórcio de bibliotecas disponibilizará os livros e os outros materiais. São muitos ainda os problemas técnicos, jurídicos e administrativos, mas esperamos apresentar um primeiro modelo até o fim deste ano.

E as suas previsões sobre o futuro?

Vivemos um momento extraordinário da história das comunicações. Tudo é fluido e em contínua mudança. Se soubermos aproveitar o momento, podemos determinar o nosso futuro, para o bem público. Devemos digitalizar – digitalizar e democratizar.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=43745