RIO - Não só urubus e aviões dividem o espaço aéreo da Ilha do Fundão. Naquele cenário inóspito e degradado, nada menos que 146 espécies de aves sobrevivem em meio ao lixo, às construções e ao que restou de vegetação na Cidade Universitária e em seus arredores. São papagaios, colhereiros, carcarás, bem-te-vis, pica-paus, gaviões, socós, sabiás, tizius e marrecos, numa variedade de cantos e cores que passam despercebidos pela maioria dos que circulam pela área, mas não escapam ao olhar apurado de um especialista, contratado para fazer um levantamento dos moradores do nada aprazível endereço.
(Mais imagens da beleza das aves do Fundão)
Desde o início das obras de despoluição do Canal do Fundão, o pesquisador Alfredo Heleno de Oliveira, de 61 anos, um mineiro de ouvido e olhar apurados, diariamente vem percorrendo a região para documentar a rotina das aves do local. Contratado para fazer o monitoramento da avifauna da área, onde desde setembro a Secretaria estadual do Ambiente vem realizando obras de dragagem e despoluição, Alfredo já catalogou pelo menos 20 novas espécies durante as expedições pelos terrenos. Todas foram devidamente fotografadas.
- Ainda é cedo para afirmar que essas aves sugiram por causa da despoluição. Talvez elas já estivessem ali, e eu, agora, por ter acesso a alguns locais novos, tenha conseguido registrá-las. O dado positivo é que, mesmo com a intensa perturbação local, há um número expressivo de espécies - diz o especialista, que foi contratado para prestar assessoria e consultoria à construtora Queiroz Galvão no projeto de revitalização e recuperação ambiental do Canal do Fundão e de seu entorno.
Espécie comum na região ainda não apareceu este ano
Na lista de aves que foram vistas recentemente na ilha, conta Alfredo, há marrecas-toucinhos, irerês iguais aos da África, tiês-pretos - que são vistos com mais frequência em locais com árvores frutíferas e nos arredores de matas e capoeirões - e maçaricos-de-pernas-amarelas, que habitam praias lamacentas e abertas de lagos e rios. Mas o bate-bate e o barulho das máquinas usadas nas obras que estão sendo feitas na região podem estar também afastando alguns visitantes que antes eram vistos ali com frequência. O verão, passarinho vermelho e preto que costumava voar pela área nos períodos entre maio e novembro, por exemplo, ainda não foi encontrado pelo pesquisador este ano.
- Hoje estamos vivendo um período de grande alteração na Cidade Universitária, onde várias obras estão sendo feitas. Ainda é cedo para dizer o que vai acontecer com as aves. Pode haver perdas e ganhos - diz Alfredo, que vai passar os próximos dois anos observando o comportamento das aves na região.
O biólogo Salvatore Siciliano, da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), admite que a presença de aves como a curicaca, que gosta de campos secos e é comum no cerrado, surpreende os pesquisadores:
- O Fundão é uma ilha pequena, que, apesar de degradada e poluída, tem uma grande diversidade de ambientes. Ali encontramos pequenas faixas de mangue, campos (gramado) e restos de mata. Por ser uma ilha, ela atrai ainda aves marinhas e migratórias, como maçaricos. Além disso, algumas espécies de aves, como a siriema, se adaptam muito facilmente a ambientes degradados.
O contraste com o ambiente poluído muitas vezes confunde quem não tem o olhar treinado. Mas, num passeio de pouco mais de uma duas horas pela região em companhia do pesquisador, repórteres do GLOBO puderam observar e fotografar 12 espécies, como maria-cavaleira, lavadeira-mascarada, siriri-cavaleiro e garça-branca-pequena. Num dos canteiros de obras que hoje tomam conta de parte da ilha, uma surpresa: no buraco de um dos contêineres montados às margens do Canal do Fundão, uma cambaxirra fez seu ninho.
- Nos meus passeios, a média é de 40 espécies por dia. Sendo que na alta temporada, que acontece nos períodos mais quentes e coincide com a fase de reprodução das aves, chego a encontrar 60 espécies num dia. São aves de várias regiões do país, muitas delas estão de passagem - conta Alfredo, que é membro do Clube de Observadores de Pássaros e autor de uma monografia
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domingo, 23 de maio de 2010
PARTE I - E assim se passaram vinte anos... NCE/UFRJ
"Para quem acredita em Deus, nenhuma explicação é necessária; Para quem não acredita
em Deus, nenhuma explicação é suficiente."
A CHEGADA
Abril de 1967; tinha eu vinte anos e estava cursando o segundo ano da escola de engenharia da UFRJ. Ah! Como eu gostaria de ser um programador! Naquela época os computadores não eram tão populares quanto hoje mas, em todo caso, o meu interesse já havia começado quando, no ano anterior, fiz o meu primeiro curso de programação (Assembler para B-200) logo seguido pelo FORTRAN para o 1130, este último na IBM.
É, mas a luta para se trabalhar em informática (mas o que estou dizendo? Este nome não existia ainda...) já era bem dura... Todo mundo precisava de programadores só que ninguém queria dar a experiência.
Foi nessa época que fiquei sabendo da instalação de um computador 1130 (ora, mas isso era fantástico!) bem no bloco F da Escola de Engenharia (naquele tempo não era Centro de Tecnologia) e assim, eu e meu amigo Miguel1 começamos a garimpar nosso tão almejado estágio.
(1) Miguel Aranha Borges passou toda a sua vida profissional no DCC/NCE. Foi muito atuante na criação do NCE e no grupo do CPD do Hospital Universitário, engenheiro eletrônico pela UFRJ. M.Sc pela Coppe e por Berkeley, faleceu em 1980. A biblioteca do NCE tem o seu nome.
Para nossa estupefação, já em uma de nossas primeiras visitas, um tal de Ysmar comentou que era muito bom que nós tivéssemos aparecido porque êles estavam precisando muito de estagiários, fato este que nos foi confirmado em seguida pelo Major(2) que estava apenas aguardando a liberação de verbas para esse fim.
Verbas? Mas para que verbas, pensamos entre nós, se o Major pensa que vamos ficar esperando por dinheiro para começar a trabalhar está muito enganado. Estamos a fim de aprender e precisamos começar logo, se possivel ainda hoje.
Assim, conseguimos um convite entusiástico do Major para que passássemos a frequentar o DCC(3) sem nenhuma obrigação de modo a irmos nos ambientando.
O DCC contava com pouca gente nesta época: O Major Tercio Pacitti, engenheiro pelo ITA e MJSc por Berkeley que era o chefe; O Ysmar Vianna, recém-formado em engenharia também pelo ITA; o Favilla, engenheiro pela PUC; o Augusto Barbosa, que era o secretário e o Antonio, servente, que mais tarde foi rebatizado de Antonio(4) para diferenciar do Antonio II. Assim que, logo apos a nossa efetivação em julho de 1967, o DCC contava, no total com sete pessoas!
O IBM 1130 era uma graça, tinha 8K palavras (de 16 bits) de memória, um disco do tipo cartucho "cartridge" com capacidade para 512K palavras, uma impressora de 110 linhas por minuto (mas que voce só conseguia ver funcionar a 80) e uma leitora/perfuradora de 400 cartões por minuto (que, igualmente, usando FORTRAN, voce só podia conseguir ler 200 cartões por minuto). Apesar de que esta configuração seja modesta em termos atuais, naquela época era bastante razoável para processamento cientifico e tecnologicamente muito avançada porque éramos uma das primeiras instalações no Brasil a usar sistema operacional em Disco!
Praticamente todos os trabalhos eram feitos em FORTRAN nesta época. Nosso serviço consistia em manter a máquina funcionando e processar os programas de professores e alunos em tese (da Coppe). É claro que ainda não estávamos em condição de dar consultoria, o que só aconteceu alguns meses mais tarde.
Era comum que os usuários ficassem conosco na sala do computador (vocês conseguem imaginar isso?) e, durante a execução dos programas (alguns levavam meia hora!) conversávamos muito, aprendíamos sobre os mais variados assuntos como os Autovetores e Autovalores, a Transformada de Fourier, a Álgebra Booleana, o método de Quine-McKluskey (muito mais tarde cheguei a conhecer o próprio McKluskey), o método de Runge-Kutta... Nessa conversa trocávamos também muitas idéias sobre como programar, o
2 Hoje Brigadeiro Tercio Pacitti.
3 Departamento de Calculo Cientifico, departamento da Coppe destinado a dar apoio computacional aos professores e alunos em tese. Mais tarde se transformou no NCE.
4 Antonio faleceu em 1981.
que foi muito útil para nós e para esses usuários. Algumas vezes chegávamos a desligar a máquina durante o dia para esperar que aparecesse alguém com um programa...
Será que vocês conhecem alguns dos usuários que conhecemos nesta situação? Vamos ver Luiz Guinle, Dirceu Machado, Paulinho Alcantara, Arlindo Rocha, Miguel Hirata, Ricardo Spinelli, Luiz Pinguelli, Zieli, Gilberto Alves da Silva, Belkis e Benjamin Valdman, Paulo Lemos, Antonio Cláudio Sochaczewski, José Abel Royo dos Santos (mais tarde reitor de Itajubá e que me ensinou os cumprimentos Ad nub e Ad rem, mais próprios para a universidade do que ôi e olá)...
Além dos alunos em tese, tínhamos também alguns usuários externos notadamente o pessoal da GE, que eram o Lourenço, o Queiroz e equipe; Lourenço e Queiroz, mais tarde se tornaram professores da Elétrica da Coppe, a "equipe" era um único sujeito que ficou com este apelido até que, mais tarde ficou sendo nosso colega na Engenharia Eletrônica, era o Leovegildo.
Ah! Mas eu não poderia deixar de falar com vocês sobre o meu primeiro programa não é mesmo? Bem, é uma historia meio longa, mas logo antes de eu vir trabalhar aqui eu era estagiário no IPqM, Instituto de Pesquisas da Marinha; aliás, estagiário não, pois no meu registro constava "calculista" (imaginem só se o Beremis Samir(5) fica sabendo que foi meu colega de profissão!). Além do mais, eu podia mesmo era me considerar "cientista" já que o meu chefe, o então Comandante Paulo Moreira da Silva, era o "cientista-chefe".
Bom, mas acontece então, que já havia alguns anos que a Marinha vinha tentando fazer uma Tábua de Marés, isto é, um livrinho contendo o horário da preamar e da baixamar nos principais portos do Brasil a cada dia do ano. Essas tábuas já eram feitas porém usando uma engenhoca caríssima e imprecisa, a máquina de Kelvin (vocês podem imaginar pela época do inventor). Já se fazia calculo de marés por computador em outros lugares do mundo, apesar de ser coisa recente, mas as tentativas anteriores no Brasil não deram resultado.
Qual a solução para um problema difícil? Ler os classificados do JB? Chamar os Fuzileiros? Ligar para a IBM? Chamar o Super-Homem? a Insetisan? Nada disso, o melhor e mais barato é dar a missão para um estagiário obstinado.
Um belo dia o Comandante Roberto Rodrigues (que não é parente do analista de mesmo nome) entrou na sala e perguntou:
- Qual de vocês é que vive dizendo por aí que entende de computador?
- Eu! Respondi prontamente, quase juntando os cascos pensando nos meus tempos de Colégio Militar.
(5) Beremis Samir, o calculista persa, o Homem que Calculava, personagem das historias de Malba Tahan.-
Ah! Então temos um trabalhinho para você. Nós queremos fazer os cálculos das marés por computador. Tem aqui um artigo publicado no Boletim do Bureau Hidrographique Internationel (já sacaram que o artigo era em Francês) que dá umas boas explicações. Leia e faça o programa.
Consegui ficar sabendo que a altura do nivel do mar em um dado instante é dada pela soma de várias funções periódicas relacionadas com os movimentos da terra, lua, sol dentre outros; se não me falha a memória a formula é: h = ho + SOMA[ An Hn Sen(Dn+t)] onde ho exprime um nivel de referencia, os An são constantes astronômicas que são calculadas para cada ano, os Hn são constantes Harmônicas que são diferentes para cada porto mas não mudam com os anos e os Dn são constantes de fase angular. Todas essas constantes eram conhecidas; o problema consistia em calcular os máximos e mínimos da função (o que poderia ser obtido achando-se os zeros da função derivada) e organizar os resultados em uma tabela. Parece fácil, não é? Depois de estudar o artigo e de conversar algumas vezes com o Comandante Emmanuel Gama de Almeida da Diretoria de Hidrografia e Navegação, ainda arrumei o computador para os testes (mediante um acordo entre o IPqM e a Coppe). Viram? Isso é que era estagiário! Só faltava agora fazer o programa funcionar...
Eu me lembro da primeira vez que fui rodar o programa. Miguel me disse:
- Está pronto? Então vamos ligar a máquina e passar o programa para você ver os erros:
Fiquei pau da vida, que erros? Ora essa, então o Miguel acha que eu faço programa errado? Então eu não aprendi? Ainda bem que, como ainda é meu costume, pensei mas não disse. Isso me poupou o vexame que as aproximadamente vinte e cinco mensagens de erro resultantes confirmariam...
É, o primeiro programa foi como um primeiro amor porque naquele tempo quando se aprendia a programar não se tinha à oportunidade de fazer o programa funcionar; assim, nunca fiz programas de exercício para aprender, a primeira experiência foi mesmo pra valer... durante pouco mais de um mês eu só pensava nesse programa, nas mares e nas senóides; como tirar um erro, como fazer o programa rodar mais depressa, como simplificar...
Não sei se quem consegue aprender aos poucos, com mais exercícios e uso farto de computador, tem sido capaz de viver essa mesma paixão já que, ao se envolver de fato com uma programação, já conhece melhor as "verdades da vida" e não se deixa levar tanto pelas ilusões. Na verdade, eu até gostaria de saber o que realmente acham meus colegas mais modernos; eu penso que o primeiro programa complexo e feito com responsabilidade ainda
é capaz de gerar muita emoção pois, afinal, por mais preparados e calejados que sejamos sempre achamos um jeito de nos deixar iludir...
O trabalho era muito gratificante e logo logo superou todas as nossas expectativas; é claro que o pagamento era pouco, mas, se eu pudesse teria até pago para trabalhar. Não estaria arrependido, toda a oportunidade que tive para aprender, com equipamento, manuais, livros e, principalmente, as pessoas...
Ah, sim, as pessoas, que são o maior patrimônio de qualquer organização, eram fartas principalmente em qualidade a nossa volta. As pessoas, muito mais do que qualquer outra razão, é que foram importantes para me manter ou me fazer mudar de um grupo de trabalho. Qualquer assunto que eu quisesse saber podia perguntar ao Ysmar que êle sabia dizer que na biblioteca, em tal prateleira, tinha um livro de tal cor que explicava muito bem o assunto; ou ainda quando tinha um problema muito cabeludo de programar podíamos recorrer ao Favilla que logo se entusiasmava e ficava todo contente de achar uma solução elegante junto conosco.
A Coppe como todos ficaram sabendo mais tarde, foi à precursora de profundas mudanças (para melhor, entendam) nesta universidade. As instalações eram limpas (tinha até papel nos banheiros), todo o trabalho era levado muito a serio (principalmente pelos alunos). Professores estrangeiros e brasileiros trabalhavam juntos e com o mesmo pique. As notas, como na maioria das universidades estrangeiras, era competitiva, quer dizer era muito difícil tirar A porque a quantidade de A's dependia do numero de alunos na turma; naquela época, fazer quatro cursos por período era só pra CDF em tempo integral e, mesmo assim, se arriscando a pelo menos um B.
As dificuldades da vida de estudante da Coppe naquele tempo, justificavam, plenamente, a inscrição colocada sobre o portal por um aluno dedicado:
"Lasciate ogni speranza, voi ch'entrater6
O contraste com a Escola de Engenharia, onde eu estudava, era gritante; e olhem que hoje isso já melhorou muito devido a influencia da Coppe. Para quem não conhece essa historia, acho que vale a pena gastar mais alguns parágrafos.
A Coppe foi obra da obstinação e talento do Professor Alberto Luiz COIMBRA que conseguiu apoio financeiro no BNDE (hoje BNDES) para começar o programa de Mestrado em Engenharia Química. Graças a uma estratégia bem clara de "NUNCA COMPROMETER A QUALIDADE", essas atividades foram pouco a pouco crescendo. É claro que ficou logo constatado que a contratação de professores interessados e competentes com salários dignos (o apoio do BNDE permitia salários muito superiores aos
6 "Deixai aqui toda a esperança, o' vós que entrais!" ••• Inscrição à porta do Inferno de Dante em "A divina comédia".
que a Universidade estava acostumada) trouxe como consequência a formação de técnicos em níveis tão elevados como nas escolas estrangeiras.
É uma lei universal que, em tudo há uma tendência ao equilíbrio, e a grande expectativa era de que, aos poucos, a nova mentalidade (ou veneno, segundo alguns) trazida pela Coppe se espalhasse pela Universidade. Havia, logicamente, também o temor de o ambiente do restante da Universidade acabasse predominando a longo prazo.
O apoio do BNDE era dado diretamente ao pesquisador, o prof. Coimbra, e não dependia em nada da UFRJ. Nenhum dos professores nem dos funcionários tinha contrato de trabalho com a Universidade; para nós, do DCC esta situação se manteve até 1972 quando foi criado o quadro do NCE (e olha que a Coppe ainda continuava na mesma situação).
A vida neste ambiente, quase que de fantasia, era muito excitante para quem estava começando, como eu; e acho que este impacto, tão cedo na carreira, fez com que todos nós continuássemos tentando manter um ambiente ideal de trabalho pelo resto da vida.
No DCC ninguém se tratava de senhor, e o grupo todo era muito unido. Foi nessa época que estava sendo lançada a la. edição do FORTRAN do Pacitti; eu e Miguel passamos um bom tempo elaborando os anexos para que a edição saísse mais depressa.
Chegando o fim de 1967, o DCC passou a contar com mais um estagiário: Luiz Antonio Couceiro e, em seguida com mais um recém-formado: Ivan da Costa Marques.
Aos poucos o volume de trabalho ia aumentando; cada vez mais alunos usavam o computador em suas teses e os problemas eram cada vez mais complicados. Já começávamos a sentir a necessidade de manter os usuários fora da sala do computador (o que não era muito fácil); eu e Miguel chegamos a implorar ao Major que desse uma ordem proibindo a entrada de usuários durante o processamento; êle se negou a fazer isso e nos deu a seguinte resposta:
- Use o bom senso!
Lembro-me ainda de que, por um problema de manutenção, o 1130 precisou ficar alguns dias parado. Para evitar o acúmulo de serviço e para que os usuários não ficassem sem atendimento, fomos levar os programas para serem executados na Petrobrás e na PUC Infelizmente, para nosso martírio, vários usuários souberam disso e foram nos fazer companhia; de nada adiantou pedir uma proibição; novamente tivemos que usar o bom senso!
Mais ou menos por esta época tivemos uma visita muito marcante; o Dr. Jean Paul Jacob, o primeiro brasileiro com o titulo de Ph.D. em computação! Jean Paul havia sido aluno do ITA e já havia alguns anos estava trabalhando na IBM americana. Contente com o sucesso que fazíamos com o 1130, a IBM estava querendo propor um acordo "irrecusável" para a instalação de uma máquina maior: um /360 modelo 44. Eu não conseguia entender a razão
da recusa do Major que preferia até pagar por um modelo 40 do que ficar com o 44 de graça...
O 44 era mais especializado para processamento cientifico, mas, o grande fato é que não era compatível com os demais modelos e, portanto, só podia usar seu software específico. Se não me engano, esta negociação acabou sendo feita com a USP e a compra de um /360 modelo 40 para nós alguns anos depois comprovou que o Major estava certo.
O futuro é escrito pelo passado, o presente é a oportunidade de correção
PREFÁCIO
A vontade de escrever sobre o começo da computação na UFRJ já veio há muito tempo. Só agora, que se está preparando a comemoração dos vinte anos do NCE, e que sou eu o único analista daquela época que ainda está em serviço (comemorando os mesmos vinte anos) é que não consegui arranjar mais desculpas para protelar.
Assim escrevi essa história para que os colegas mais antigos sintam reviver os bons tempos, para que os mais novos satisfaçam sua curiosidade e para que também, pelo conhecimento do passado, possam economizar alguns erros no futuro. Escolhi, deliberadamente, contar a história como eu a vivi e não através de uma narrativa impessoal na esperança de que o texto não fique tão maçante. É claro que outras pessoas viveram uma história um pouco diferente e fica aqui o meu convite para que cada um complemente a minha iniciativa com sua contribuição; quem sabe poderemos editar uma coletânea de contos sob o “Memórias de Núcleo”?
Quero pedir desculpas por alguns erros que posso estar cometendo devido a que grande parte dos fatos está registrada apenas na minha memória que, como se sabe, não tem paridade nem CRC. Mas, como sabemos, só há uma maneira segura de não errar e esta é não fazer.
Pensei também em fazer uma dedicatória apesar de ser este um trabalho muito humilde e modesto. Lembrei-me, então, de um texto que já tive vontade de colocar em algum lugar que só agora encontrei:
"Dedico este trabalho ao espírito de amizade e coleguismo que uma vez surgiu entre a equipe do NCE e que nos permitiu sobreviver a tortos os momentos difíceis bem como comemorarmos unidos os momentos felizes; que êle se fortaleça entre nós não só nos momentos de tristeza mas, principalmente, nos de glória pois que assim como o fracasso causa pena, o sucesso provoca a inveja...”.
Agradeço aos colegas que me incentivaram e refrescaram minha memória e peço perdão se eu não soube dar um desfecho brilhante para uma história que é tão interessante. Mas, afinal, na fantasia, assim como na vida, existe muita história bonita com final decepcionante...
Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1988.
Paulo Bianchi.
fonte: Bianchi, Paulo. E assim se passaram,quem diria,vinte anos...NCE/UFRJ
Obs: Estarei aqui postando o livro de Paulo uma grande oportunidade de se avaliar o que foi, o que é e o que será o NCE, relembrar o passado através de fotos, videos, e da troca de lembranças e um oportunidade de nos posicionarmos hoje, avaliarmos quem eramos, quem somos e quem queremos ser....aproveitem
A vontade de escrever sobre o começo da computação na UFRJ já veio há muito tempo. Só agora, que se está preparando a comemoração dos vinte anos do NCE, e que sou eu o único analista daquela época que ainda está em serviço (comemorando os mesmos vinte anos) é que não consegui arranjar mais desculpas para protelar.
Assim escrevi essa história para que os colegas mais antigos sintam reviver os bons tempos, para que os mais novos satisfaçam sua curiosidade e para que também, pelo conhecimento do passado, possam economizar alguns erros no futuro. Escolhi, deliberadamente, contar a história como eu a vivi e não através de uma narrativa impessoal na esperança de que o texto não fique tão maçante. É claro que outras pessoas viveram uma história um pouco diferente e fica aqui o meu convite para que cada um complemente a minha iniciativa com sua contribuição; quem sabe poderemos editar uma coletânea de contos sob o “Memórias de Núcleo”?
Quero pedir desculpas por alguns erros que posso estar cometendo devido a que grande parte dos fatos está registrada apenas na minha memória que, como se sabe, não tem paridade nem CRC. Mas, como sabemos, só há uma maneira segura de não errar e esta é não fazer.
Pensei também em fazer uma dedicatória apesar de ser este um trabalho muito humilde e modesto. Lembrei-me, então, de um texto que já tive vontade de colocar em algum lugar que só agora encontrei:
"Dedico este trabalho ao espírito de amizade e coleguismo que uma vez surgiu entre a equipe do NCE e que nos permitiu sobreviver a tortos os momentos difíceis bem como comemorarmos unidos os momentos felizes; que êle se fortaleça entre nós não só nos momentos de tristeza mas, principalmente, nos de glória pois que assim como o fracasso causa pena, o sucesso provoca a inveja...”.
Agradeço aos colegas que me incentivaram e refrescaram minha memória e peço perdão se eu não soube dar um desfecho brilhante para uma história que é tão interessante. Mas, afinal, na fantasia, assim como na vida, existe muita história bonita com final decepcionante...
Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1988.
Paulo Bianchi.
fonte: Bianchi, Paulo. E assim se passaram,quem diria,vinte anos...NCE/UFRJ
Obs: Estarei aqui postando o livro de Paulo uma grande oportunidade de se avaliar o que foi, o que é e o que será o NCE, relembrar o passado através de fotos, videos, e da troca de lembranças e um oportunidade de nos posicionarmos hoje, avaliarmos quem eramos, quem somos e quem queremos ser....aproveitem
sábado, 22 de maio de 2010
O Capital Intelectual
O capital humano é constituído das pessoas que fazem parte de uma organização. Capital humano significa talentos que precisam ser mantidos e desenvolvidos. Mais do que isso, capital humano significa capital intelectual. Um capital invisível composto de ativos intangíveis. A contabilidade tradicional, preocupada unicamente com ativos tangíveis e físicos, está às voltas com um fenômeno inesperado: o valor de mercado das organizações não depende mais apenas do seu valor patrimonial físico, mas principalmente do seu capital intelectual.
Na Era da Informação o conhecimento está se transformando no recurso organizacional mais importante das empresas. Uma riqueza muito mais importante e crucial do que o dinheiro. Gradativamente, o capital financeiro - que predominou na Era Industrial - está cedendo lugar para o capital intelectual, como a base fundamental das operações empresariais. Em um mundo onde os tradicionais fatores de produção - naturezacapital e trabalho - já esgotaram e exauriram a sua contribuição para os negócios, as empresas estão investindo pesadamente no capital intelectual para aumentarem a sua vantagem competitiva. Criatividade e inovação através de idéias. E idéias provém do conhecimento. E o conhecimento está na cabeça das pessoas.
O fato é que as empresas bem-sucedidas estão se transformando em organizações educadoras e em organizações do conhecimento, onde a aprendizagem organizacional é incrementada e desenvolvida através de processos inteligentes de gestão do conhecimento. Nessas empresas, a ARH está totalmente comprometida em incrementar o capital intelectual e aplicá-lo cada vez mais. O sucesso empresarial reside nesse filão. Assim, o capital intelectual está se tornando um conceito fundamental para as organizações que miram o futuro. Para Sveiby, o capital intelectual é composto dos seguintes ativos intangíveis:
1. Uma nova visão do homem, do trabalho e da empresa.
2. Estrutura plana, horizontalizada, enxuta, de poucos níveis hierárquicos.
3. Organização voltada para processos e não por funções especializadas e isoladas.
4. Necessidade de atender ao usuário - interno e externo - e, se possível, encantá-lo.
5. Sintonia com o ritmo e natureza das mudanças ambientais.
6. Visão voltada para o futuro e para o destino da empresa e das pessoas.
7. Necessidade de criar valor e de agregar valor as pessoas, a empresa e ao cliente.
8. Criação de condições para uma administração participativa e baseada em equipes.
9. Agilidade, flexibilidade, dinamismo e proação.
10. Compromisso com a qualidade e com a excelência de serviços.
11. Busca da inovação e da criatividade.
A CLASSIFICAÇÃO DOS ATIVOS INTANGÍVEIS
Devido a essa gradativa importância, está havendo dentro das organizações uma verdadeira migração dos ativos tangíveis e físicos para os ativos intangíveis e abstratos. As empresas estão preocupadas em identificar indicadores adequados para mensurar seus ativos intangíveis, como o capital humano (talentos e habilidades de seus funcionários) e o capital estrutural interno (sistemas administrativos internos) e externo (apoio e interesse de seus clientes e a idoneidade e rapidez de seus fornecedores). Nesse quadro, as pessoas passam a ser a prioridade fundamental das empresas na busca do seu sucesso. Essa nova perspectiva do capital intelectual mostra que:
1. Para reter e desenvolver o conhecimento, as organizações precisam oferecer um trabalho desafiante que agregue continuamente novas experiências e novos conhecimentos às pessoas.
2. O conhecimento proporcionado pelos funcionários e incrementado pelas empresas constitui a riqueza mais importante das organizações.
3. As organizações precisam desenvolver estratégias claras de RH para poderem conquistar, reter e motivar seus talentos. Sobretudo, desenvolvê-los e aplicá-los adequadamente.
4. Os funcionários que detêm o conhecimento são os principais contribuintes para o sucesso da organização. O êxito da organização depende deles.
5. As organizações estão se transformando rapidamente em organizações de aprendizagem para poderem aplicar adequadamente o conhecimento, rentabilizá-lo e obter retornos.
6. Para serem bem sucedidas na Era da Informação, as organizações estão adotando a perspectiva do conhecimento e investindo fortemente no conhecimento. É uma questão de sobrevivência e de comFpetitividade.
Na verdade, é o capital intelectual e não mais o capital financeiro quem determina o valor de mercado de uma organização.
1 Karl Er Sveiby, A Nova Riqueza das Organizações: Gerenciando e Avaliando Patrimônios de Conhecimento, Rio, Campus, 1998
Autor: Idalberto Chiavenato
NCE, sua História
Para entendermos o hoje e construirmos o futuro, precisamos entender o passado,este livro descreve a criação do NCE dentro do contexto histórico da UFRJ e do desenvolvimento tecnológico do mundo e do pais e explicita muita coisa esquecida e que foi fundamental para o NCE
Conheça a historia NCE
Conheça a historia NCE
NCE - comparação
Faça um exercicio de memória compare o ambiente de 2001 ate hoje, foram tres coordenações (Rocha, Ageu e Claudia Motta), quais os pontos fracos e fortes de cada um, quais as perspectivas, que visão de futuro elas projetaram para o NCE, para a UFRJ e para os funcionários e para o seu futuro?
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